Em que momento ele começa a ser pai?

Já fazia tempo que pensava em falar a respeito de paternidade. Aí, hoje, quando entrou no blog o Skribit - esse novo mecanismo (veja na lateral, à sua esquerda) de consulta sobre os temas que seguidores/as desejam ver aqui no Desconstruindo a Mãe, a primeira sugestão que aparece é que se fale sobre os pais... De acordo com quem escreveu, "estes desconhecidos suportes no dia-a-dia do lar"! - kkkkkk!

Vovô levando pro 1º dia de escola
Cada pessoa tem sua história com a paternidade; no meu caso, o pai era uma figura pacata, que ficava pouco em casa porque tinha 2 empregos, faculdade, plantões nos finais de semana... Mas ele também era o cara que raramente me dava uma bronca, palmada; a pessoa que eu ficava esperando ansiosamente pra ver se apareceria nas apresentações escolares (raramente acontecia); aquele de quem muitas vezes esperei mais do que seria capaz de me dar, por ser tímido, por sua história de vida, por minhas idealizações de menina.

Ele hoje é o mais apaixonado dos avôs. Não tenho dúvida disso. E vejo que ele aproveita cada oportunidade para dizer aos meus filhos, daquele jeitão muito engraçado, que eles são amados, que ele quer e gosta de estar junto e até já participou de uma ou outra atividade escolar da Larissa. - Sem contar que adora buscá-la na escola!

Mas esse post também é a oportunidade de falar de um outro cara, sem cuja participação, eu não seria muito da mãe que eu consigo ser hoje. O Alemão, ele mesmo.

Sangue não é água!
Antes mesmo de nos casarmos, ao ver a sua relação com os sobrinhos, tive certeza de que ele era muito afim de ser pai. Ele era o DINDO MANO. O padrinho da Mariana, adotado pelo Pepê e pela Gabi como se fossem seu também.

O cara que quando chegava os rostos das crianças mudavam, ganhavam outro brilho. Que tocava "o sapo não lava o pé" e até a versão da música-tema de Titanic com Sandy e Júnior pra agradar uma outra criança. Que entrava na piscina pra brincar e que contava histórias dos tempos em que morava com as tartarugas do Projeto TAMAR. Enfim, ele fazia diferença pra elas. As crianças não resistiam!

Primeiro colo
Um certo tempo se passou. Pensamos no assunto e vimos que nós desejamos muito nos tornar pais. Vasculhamos o que foi possível e, depois de um bom tempo, descobrimos que havia alguns impecilhos que seriam, sim, transponíveis, se tivéssemos paciência para continuar tentando. Ele encarou de frente.

No dia em que fiz o teste de farmácia, acho que ele tremeu de medo do resultado. Mas a comemoração foi muito bacana! E desde então, ele começou a se comportar como quem estava realizando um sonho, ainda que não pudesse sentir os enjôos matinais, nem os primeiros movimentos do bebê. 

Ele adorou correr atrás de brigadeiro na madrugada quando tive o primeiro desejo! E tocava violão encostando na barriga, conversava com a barriga, me buscava na faculdade quando chegou a época de evitar que eu dirigisse com aquele panção... Ele curtia muito!

Quando tive cálculo renal no 6º mês de gestação, fiquei sabendo que ele fez as maiores maluquices pra voltar de uma convenção em Vitória, atravessar a cidade, buscar meu sogro que estava chegando em São Paulo para passar uns dias conosco e chegar a tempo de apertarmos as mãos e me dizer que estava torcendo para que desse tudo certo. E dias depois, fez praticamente sozinho nossa mudança pro apartamento que estávamos comprando.

"Deixa comigo"!
Da decoração do quartinho, ele fez questão de participar. Pintou quadrinhos, ajudou a escolher cortinas... Quando chegou a Larissa, pensei que não haveria espaço suficiente para tantas fotos e para conter tanto amor! Ele deu um jeito de organizar as férias pra que começassem no fim da licença-paternidade e, assim, curtiu muito os primeiros dias de vida da loirinha. 

Ele deu o primeiro banho; cuidou do umbigo, que caiu em suas mãos; levou água de côco em cumbucas de sopa porque a sede era imensa enquanto eu amamentava; trocou fraldas; mas sempre se recusou a cortar as unhas! Até hoje não tem coragem.

Dia dos pais na escola, 2008

No Mini-Zoo de Taboão da Serra
Não sei dizer em que momento o Alemão começou a ser pai. Houve momentos em que as exigências de trabalho foram tantas, que para que ele pudesse curtir ser pai, teve bronca (minha, claro). Em uma ocasião que telefonei pra que ele fosse direto do serviço pra uma pracinha nos encontrar, porque lá dava pra adultos andarem de balanço com as crianças no colo, acho que ele pensou "lá vem essa doida com as idéias dela", mas não recusou. - E sei que na primeira vez em que isso aconteceu, ele ficou entre tímido e grato, por estar de roupa e sapato social entre os olhares curiosos das pessoas.


Com o tempo, ele voltou a se soltar e via-se que as cobranças dos dois lados estavam muito pesadas. Quando nossa pequena queria brincar, nem sempre era possível; quando ele podia, ela estava morrendo de sono. 

Quando nos separamos, acho que o que mais doeu foi ver que ele estava em São Paulo, longe da filhota, que foi morar em Porto Alegre, crescendo e descobrindo coisas a cada dia e que ela vivia tentando fazê-lo participar da vida dela, das alegrias, das novidades e que agora havia uma distância que precisava ser superada não apenas com telefone e webcam.

Essa decoração de aniversário foi feita pelo papai!

Muita água passou por baixo da ponte e nós voltamos a ser um casal. E acho que nesse dia também pôde renascer um pai. Mas talvez seja apenas um jeito de contar a história. Ou haja coisas que ele deseje comentar - ou não. E também há muito mais, que virá a ser tratado em outro post, porque agora o papai chama a Larissa e a Desconstruída aqui pra tomarmos um cafezinho da tarde enquanto o Caio se recupera dormindo da folia feita.

P. S. : As fotos que entraram nesse post foram escolhidas pelo próprio Alemão, que está aqui, tri emocionado...

12 pitaco(s):

gisele.artes disse...

Muito lindo, Ingrid! Dá parabéns pro Alemão!!! bjos, gi

Paulo Lima disse...

A vida é uma coleção de coisas. Você vai juntando pecinhas, como num imenso patchwork. E às vezes dá sorte, como no meu caso. Junte encontrar a mulher dos seus sonhos. Junte dois cachorrinhos que são companheiros pra tudo. Junte dois filhos sapecas. E junte, principalmente, sonhos que são vividos e concretizados a seis. Costurando tudo, temos uma estrada até aqui muito legal, e que só descolorirá (como disse o Toquinho) daqui a muito tempo!

gisele.artes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gisele.artes disse...

As fotos estão lindas e o comentário do Alemão tb!!! Parabéns pela tua escolha Ingrid!bjos, gi

Tati disse...

Ingrid, que texto mais lindo!! Fico imaginando a emoção dele ao ler. Um filme passando na cabeça. Lindo o comentário dele, somando ao texto e às fotos. Saio daqui emocionada. Parabéns a esta família linda.
Beijos.

Carolina Pombo disse...

adorei a iniciativa! e o texto me fez pensar também no meu marido, que é um paizão, mesmo com todos os desafios bem colocados por você. Bjs

Chris Ferreira disse...

Oi Ingrid,
amei o texto. O paizão deve ter ficado muito emocionado.
Aqui também tenho um paizão para as minhas filhas.
Que bom que soubemos escolhê-los né?

Muito obrigada pela dica do livro. Vou comprá-lo. Bom, espero encontrar.

beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

sélisis disse...

Acredito que um pai desses nunca se distancia. Ele apenas adormeceu por alguns instante para retornar com muito mais amor. E o amor foi tanto que apenas a loirinha não suportaria recebê-lo, foi então que o pimpolho veio para dividí-lo. Bjs, meus amigos amados.

Sarah disse...

Que homenagem linda... E que história bacana a de vcs, que souberam superar as dificuldades e se reencontrar. Lindo também o comentário do Alemão!
Parabéns para a família!
um beijo

Sérgio disse...

Ingrid, pelo pouco tempo que conheço o Paulo (Taffa, Alemão...), 15 poucos anos, só tenho a endossar tudo o que escrevestes dele, é um amigo grande e não seria diferente como pai e esposo, sempre preocupado e dedicado, do jeito dele, claro, mas é o que é mais legal.
Parabéns pelo texto.

Pedro e Adri disse...

Bueno, primeiramente quero dar os parabéns a minha cunhada pelo lindo texto, fiquei emocionada ao ler! (ARRÁAA, TE PEGUEI..É QUE A MARI COMEÇOU A LER E TAMBÉM ESTÁ CHORANDO!!!)Continuando..
Sempre acreditei que o Alemão se tornaria um grande pai, antes mesmo de vivenciar a experiência com os sobrinhos. O cuidador já se manifestava comigo! Sendo irmã mais nova sempre tive a sua compreensão, afeto, carinho, bronca, amizade e amor. Sempre foi meu porto seguro e motivo de orgulho.
Então agora ele tem essa família linda que infelizmente por enquanto estão longe de mim..

Camila disse...

Adoro ler e ouvir histórias de pais q são pais desde sempre, muito legal! Acho q é uma "tendência" dessa nova geração de pais, não acha?? Sorte a nossa, como mães e mulheres!
Bjos,
Camila
www.mamaetaocupada.blogspot.com

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