Pra quem reclama não apenas do preço

Muita gente reclama (com razão) que suas cidades não fazem parte do chamado circuito cultural, que não há muitas opções e fica indignada porque peças conhecidas de teatro ou shows de cantores nacionalmente ou até de fora do país não chegam até sua região. Eu era uma delas.

Depois de um tempo, não dá mais pra reclamar tanto assim de Porto Alegre. O povo começou a fazer acontecer e os artistas gaúchos se mexeram pra que não valorizássemos apenas artistas famosos pela TV ou por terem grandes gravadoras e produtoras trazendo seus shows. Passamos a ter um festival chamado Porto Alegre em Cena, para criar um público de teatro, com peças excelentes por preços convidativos. Temos muita produção que o país desconhece, inclusive. - Aliás, nosso estado tem sido privilegiado por trazer de outras regiões uma excelente programação, mas os preços estão absurdos e ainda temos muito pra aprender em termos de oferecimento de um show deste gabarito que desejamos assistir!

São problemas de circulação nas áreas onde ocorrem shows, falta de estacionamentos ou de locais para fugir de entrada e saída dos shows para quem não tem nada a ver com isso. Muitas vezes os locais onde os shows são realizados não estão preparados para mudanças climáticas ou se localizam em vias de acesso complicado/estreito...  - Quero ver em tempos de Copa do Mundo!

Imagem: @paulodedalus
No dia 06/10, por exemplo, fomos @paulodedalus, meu irmão e eu ao show do Eric Clapton e ele foi sensacional! Mas é impressionante que uma cidade simplesmente pare quando um evento como esse acontece. E, nessa semana, vários shows estavam acontecendo, de artistas muito famosos. E continuavam as apresentações de artistas locais também.  

Nesse show especificamente, observei que havia, sim, banheiros químicos para deficientes físicos. Como muita gente sabe, eu andei precisando ficar de molho de novo, dessa vez tendo torcido o outro pé. E estava usando uma cadeira de rodas para me locomover. Não sei como ainda me surpreendo quando vejo que uma pessoa precisa ficar indo atrás de alguém para abrir portões ou afastar barreiras para que seja possível tentar entrar no banheiro químico. Mais ainda: que seja possível se movimentar lá dentro. Uma pessoa que não consiga se levantar da cadeira de rodas, sinceramente, não consegue usar esse sanitário...

[Aí já fica uma dica: hoje à tarde descobri por acaso um evento que deveria ter sido muito divulgado: hoje, dia 20/10/2011, a Faculdade de Serviço Social da PUCRS em parceria com a FADERS, promove o Seminário de Pesquisa Direitos Humanos e Condições de Acessibilidade no RS, em que serão apresentados três estudos, entre eles Condições de Acesso das Pessoas com Deficiência aos bens sociais no Estado do RS, que investigou o acesso à educação, saúde, assistência social, trabalho, cultura e mobilidade urbana das pessoas com necessidades especiais nos 496 municípios gaúchos. O evento ocorre no auditório térreo do prédio 50, das 9hs às 17hs.]

Imagem: http://www.whitegadget.com
Mais ainda: com preços que não andam convidativos, muita gente tem justificativa para não prestigiar os espetáculos. Mas ainda assim eu fico pensando que prefiro pagar por uma peça, que envolve muitos profissionais e que geralmente não contam com patrocínios (ou são discretos), que ir ao cinema para ver filmes americanos, que envolvem, claro, uma leva de gente trabalhando, mas que conta com orçamentos bilionários dos estúdios de Hollywood. Os nacionais tenho feito questão de prestigiar! - Sou suspeita, fiz teatro por vários anos, mas o teatro tem um encanto único!   

Mas há também a programação dita alternativa e que nem sempre é divulgada. Gratuita ou com preços simbólicos, ela tem oferecido oportunidades boas de conhecer coisas fora do "circuito" e dá uma arejada nas idéias, saindo do senso comum. Vamos aos exemplos:

Universidades sempre têm programação como Sobremesa Musical, palestras, ciclos de debates, workshops, seminários, semanas acadêmicas, feiras de iniciação científica e até retiros! Isso nós raramente veremos na agenda cultural de um portal de internet ou ocupa um espaço minúsculo em revista semanal ou jornal, porque não gera patrocínio, mas vale a pena procurar.

Imagem: http://artesanatodebambu.blogspot.com
Estudantes, idosos, professores e classe artística costumam ter descontos em ingressos. Portanto, esteja com seu comprovante sempre na carteira! 

Aqui em POA, além da proximidade da 57ª Feira do Livro, estamos com a Bienal de Artes Plásticas do Mercosul a pleno vapor. E temos mostras especiais sobre direitos humanos, cinema espanhol, estréias de curtas gaúchos... Existe ainda a possibilidade de transporte gratuito até alguns dos locais.


Colabore com sua cidade prestigiando a programação cultural que ela oferece. É preciso criar uma cultura de participar da cena cultural (redundância)! Porque se os artistas precisam ir onde o povo está, como diz a canção, os artistas também se alimentam do aplauso e os patrocinadores investem em espetáculos e shows que dão retorno, assim como prefeituras subsidiam o que tem mais audiência e, então, vira um ciclo vicioso. Foi o que aconteceu com o Festival de Inverno, em que assistimos o show do Arnaldo Antunes por um preço módico e com qualidade incrível, num dos melhores locais da cidade!


No mais, acho que é isso: quem conhece toma gosto por estar em contato com a cultura. Seja uma feira de artesanato, uma exposição famosa, tomar contato com outras formas de ver o mundo faz a gente querer sempre mais!  






4 pitaco(s):

Tuka Siqueira disse...

Aqui na minha cidade, nada acontece. Não temos teatro e o único cinema cobra preços absurdos. Quando temos algum evento (feiras de exposição, festivais de música por ex.) ou não é divulgado ou os preços são proibitivos, mas acontece muito o que você disse: o povo reclama muito da falta de opções, mas quando tem chance, não prestigia.
Beijos

Mãe de Duas disse...

Adorei o post!!
Vou te contar o que acontece em uma cidade onde o "problema"(no bom sentido) é a abundância de programação cultural. Em muitos eventos a organização deixa a desejar, partes de cidade cidade chega a parar por causa de certos shows, os preços são abusivos e tudo é lotado. Claro que aqui em SP temos muitos programas excelentes gratuitos (assim como aí em POA), mas a concentração de multidão chega a assustar, o qeu faz com que algumas vezes desistamos de programas assim com as crianças!
Beijos
Pri

Um espaço pra chamar de meu disse...

Adorei,Ingrid!!!
Aqui no RJ tem de tudo,mas os preços são de matar...e tbém os dias dos shows,em plena 2ª ou 4ª complica,ainda mais que meu marido é meio enjoado pra esses eventos...
Fiquei aqui lamentando ter perdido o Eric Clapton, mas achei q funcionou muito bem a estrutura do Rock in Rio...
No mais teatro tbém tá pela hora da morte, ô negócio caro e cinema procuro ir nos dias de promoção 2ª e 4ª...bjs e bóra aproveitar as atividades gratuitas...bjs!!!

Ana disse...

Ingrid cortamos um dobrado aqui em Petropolis. Raras opções.
Mas já percebi tb que produções locais que são muito boas em geral estão vazias, ou sem estrutura alguma (tipo banheiro, alimentação). De qq forma tentamos prestigiar dentro da nossa possibilidade. Quandos sentimos muita falta,descemos a serra, e aí temos uma oferta maior. Quando a coisa é gratuita, é super lotada o que nos faz desistir. Então faz parte do orçamento esse "luxo". Mas é uma pena pq se o preço fosse mais justo, com certeza faríamos mais vezes. Tb percebi aqui no Rio a alta dos preços por causa da meia entrada. Eu sei não vamos culpar a meia entrada, mas em geral os preços dobraram, porque não é o dono do evento que vai subsidiar isso, correto?
mas acho válido ressaltar que conheço muita gente que falsifica carteirinha de faculdade pra poder pagar meia, coisas de Brazil infelizmente.
Bj!

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