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Música da Minha Vida, parte I - Blogagem coletiva atrasada

Falar de músicas pra mim é sinônimo de falar de vida. Nasci numa casa bastante musical, embora nenhum dos meus pais toque qualquer instrumento. Mas sempre tem alguém cantarolando, assobiando, ouvindo um som... Além do que cresci no bairro Jardim Botânico, cheio de canto do pássaros, um privilégio para quem reside em cidade "grande".

Meu pai, agora aposentado, foi por mais de 40 anos locutor de uma rádio que, além de ter AM (= noticiários, esportes entrevistas etc.), tinha FM com muitas músicas clássicas, intercaladas com Ray Conniff, Frank Sinatra, Mercedes Sosa, Júlio Iglesias, Nana Mouskouri, Beatles, muita música instrumental... Sabe aquela rádio que toca as músicas de ouvir em sala de espera de consultório? - Essa rádio hoje está bem diferente, mas isso não é tema da blogagem.








Mas minha mãe ouvia muito Roberto Carlos, Erasmo, Wanderléia, Antônio Marcos, Ângela Rô Rô, Leno e Lilian, Renato e Seus Blue Caps intercalados com muita Beth Carvalho, Clara Nunes, Elis Regina, Jair Rodrigues, Gonzaguinha, Maria Bethânia, Nei Matogrosso, Almôndegas, DiscocuecasGrupo Impacto (imperdíveis os 3 últimos!), enfim...


Meu pai teve uma fase em que escutava João Mineiro e Marciano, Chitãozinho e Xororó (acho que devia ser bem início de carreira), Jair Rodrigues (numa batida diferente da minha mãe), Sérgio Reis... E também sempre curtiu uma música nativista, algo que acho que vale a pena conhecer: Leonardo, Gaúcho da Fronteira, Neto Fagundes - aqui cantando com Fresno! - e tantos outros artistas que tanto falam com amor de tradições que podem parecer toscas para alguns, mas que dizem muito sobre o país onde vivemos, já que antes de gaúchos, somos brasileiros.

Então eu cresci ouvindo tudo isso e muito mais, porque muito minha mãe ensinou canções de roda, parlendas e isso nós cantávamos naquelas viagens demoradas até o interior, no tempo de estradas ruins, muitas delas de chão batido. E tem músicas e brincadeiras que nós cantávamos muito, duvido que alguém não vá lembrar de alguma delas, em brincadeiras que hoje ensino aos filhos:

"Pimponeta!
Petapetaperrugi, 
petapetaperrugi
Faz pim... pom!!!"


Quem sabe...? 


"Oh, meu belo castelo (bota, tira, trarei)!
O que vós quereis? (bota, tira, tirarei)"

Ou Adoletá, lembra disso?






Mas também era muito comum o pai chegar em casa com aqueles discos que ninguém tocaria lá na Rádio Guaiba: do Carequinha, Patotinhas, Arca de Noé 1 e 2 (estes em fita cassete), Blitz, alguns deles com o single, aquela música de lançamento que vinha antes mesmo de o Long Play estar nas lojas. E ficava TRI FACEIRA, achando o máximo receber o disco do trabalho do pai, porque criança sempre acha o máximo qualquer gesto dos pais, né?!
Imagem: http://flashbak7080.blogspot.com


Acho que isso culminou quando ganhei um toca-discos Philips de presente foi O MOMENTO da minha infância, em termos mais individuais, pois poderia escutar meus discos no meu quarto e eu achava isso muito legal! Talvez comparável a minha filha ganhar um computador ou iPad só dela. O meu era exatamente igual ao da imagem ao lado!!! Até essa cor de cocô! KKKKKKKKK! #morry ao ver que tinha essa foto no buscador!

Muito cedo, acho que aos 8 anos, começou a função das reuniões dançantes, que eram muito mais pra imitar os irmãos mais velhos dos amigos do que propriamente pra outra coisa, mas a turminha do prédio tomou gosto, cada vez fazendo em um apartamento. Então o toca-discos foi muito útil! 


Assistindo Programa Sílvio Santos, Globo de Ouro e Cassino do Chacrinha, então, eu conheci muitos artistas diferentes e aprendi a cantar músicas de gente grande e diferente dos meus pais:








De BiafraGilliard, Marquinhos Moura, Nahim, Gretchen, Wando até Absyntho, Doutor Silvana, João Penca e Seus Miquinhos Adestrados, Kid Vinil, Eduardo Dusek, Kid Abelha, Os Titãs o Ieieiê, tudo estava presente! - E eu morria de medo do Arnaldo Antunes, rsrsrsrsrss! - Mas não posso negar que o MUSO da época era o Magal e ponto final! Então, ele precisa estar presente nesse post!








Foi também nessa época que eu aprendi a gostar de rock nacional e internacional de uma outra forma: por influência dos amigos. Ele, o rock brasileiro, explodiu na década de 1980 e eu estava presente, como chá de pêra, sempre. Como éramos sócios de um clube perto de casa e tinha as amigas que citei no post da infância, mais velhas e já começando os namoricos, eu acabava indo a festinhas como "escolha da Rainha do Colégio" e "Sundae", promovida esta última pela Rádio Cidade, na época das mais moderninhas. 


E eu adorava ouvir Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Barão Vermelho, Titãs, tanta coisa boa!





Mas tem muito rock gaúcho surgindo nesse momento e garanto que a maioria das amigas blogueiras que participam dessa blogagem coletiva não conheceram, com grupos como TNT, Replicantes, Rosa Tatooada, Nenhum de Nós, Engenheiros do Havaí, Taranatiriça, Cascavelletes...


Essas músicas falam muito de uma parte muito bacana da minha vida. Ao escrever esse post, já ri e chorei pra caramba. Está sendo um momento único!


Mas o motivo que gerou essa BC foi, também, lembrar com carinho que no dia 06/11/1998 @paulodedalus e eu nos casamos no civil. Lembro como se fosse ontem: um dia muito quente, que começou com a prova que fiz para o mestrado e nós correndo para que desse tempo de chegar ao cartório e ainda aparece o gerente do Paulo para fazer uma bendita reunião no horário do casório!!! Claro, não podia ser diferente. Com a gente, as coisas são sempre de um jeito muito maluco, sempre tudo ao mesmo tempo: agora.


Nos conhecemos na faculdade de biologia; ele terminando o curso, eu começando, em 1993. Reprovamos, como 95% da turma, em matemática aplicada a biologia, algo que deve ter ficado na história do curso. Passávamos mais tempo brincando de escrever nomes de personagens de desenhos animados (amamos!) que estudando essa disciplina, a única que tínhamos em comum, já que não era pré-requisito para nada e, na época, podia-se deixar para o fim do curso sem maiores prejuízos.


No semestre seguinte, acabamos nos matriculando numa turma dessa disciplina em que éramos minoria. Fomos encaixados numa turma do curso de farmácia, então os futuros biólogos se uniram para comer chocolate toblerone e dizer bobagens, ate estudar de vez em quando e foi assim que comecei a me interessar pelo Nikima, como ele era chamado. Mas ele tinha namorada, eu fiquei mudinha. E ele me empurrava para os colegas...


Ele terminou o curso e pouco nos vimos até novembro de 1997, quando acabamos nos encontrando no prédio em que eu morava. Dias antes, tinha sonhado com uma pessoa cujo rosto eu não via, mas tinha os cabelos crespos e loiros como são os do maridex. No sonho, essa pessoa seria alguém muito importante pra mim. Tinha a certeza de que seria o homem da minha vida. Ao nos encontrarmos, eu só conseguia ouvir a sua voz, não via o rosto... Imaginam o quanto tremi até conseguir ir cumprimentá-lo, já que instantaneamente reconheci a voz dele? - E, depois, claro, passou o susto, conversamos e combinamos de ir juntos a uma festa à fantasia que teria na faculdade.


Se pudesse resumir esse momento de início, que pra mim foi muito marcante, juro que ouvi tocar essa música, que foi uma das primeiras que dançamos na Festa à fantasia da Bio:







A foto da festa fica para o próximo post, pois não pude escanear hoje e vem mais no próximo post, que pretendo fazer ainda hoje à noite, e prometo que aí vem uma trilha sonora do nosso casamento, Ok?!

E vocês, o que acharam dessa trilha da minha vida até começar a namorar o Alemão/Maridex?

Meu filho, você não merece nada!!!

Agradeço imensagem a Marla Gass por compartilhar esse texto tão real, atual e que me ajudou a ter ainda mais certeza de que o trabalho diário de formiguinha pode, sim, ter bons resultados...

Meu filho, você não merece nada

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Eliane Brum

   Divulgação
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum



Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.


Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.


Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.


Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.


Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.


É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?


Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.


Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.


Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.


A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.


Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.


Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.


Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.


Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.


O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.


Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.


Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.


Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.


Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html

Esse texto reafirmou minhas convicções de que não basta o meu amor pra que nossos filhos sejam felizes. Não basta a nossa torcida, nem todas as oportunidades que concedamos a eles a felicidade ou mesmo a capacidade de percebê-la presente.

Temos feito um trabalho de formiguinha, repensando hábitos, dialogando como casal e fazendo momentos de conversa familiar em que se trata de questões que antes me afligiam e que geram atrito, como enfrentamento e uma certa tendência a desistir de tudo facilmente, de cobrar que os pais resolvam seus problemas ou de dizer que eles são sos culpados pelo que acontece. A Lalá, #aos7, volta e meia age como teenager, de uma forma que vejo tão precoce, mas que reconheço que vivi também. 

O Caio, #aos2, andava querendo resolver tudo na bordoada, no grito, no se atirar no chão. Esses dias parecia um pano de chão se esfregando pelo piso do shopping. Deixei que gritasse, chorasse, se escabelasse (mas a Lalá ficou com pena e ele acabou vendo a loja onde entrei - acho que se não tivesse visto, teria sido mais bacana o resultado).

Sim, filhos tentam se impor e testam limites. E os limites, como dizem autores de best sellers Içami Tiba, Tania Zagury e muitos outros, os limites quando bem colocados, não geram trauma. O que gera trauma é viver achando que vieram ao mundo para ser servidos e protegidos de tudo e que são vítimas do mundo que não age como seus (esgotados) pais.

Quero que meus filhos evoluam. A evolução humana hoje se dá por empenho pessoal, trabalho e estudo. Coisas que nós podemos ensinar com exemplo e palavras de apoio. 

Lalá ontem mesmo resmungava, manhosa: "nunca vou conseguir fazer um desenho tão bonito quanto o do papai"! Era nítido que ela esperava que eu dissesse que já estava maravilhoso. E quando eu disse que sim, se ela continuasse reclamando ao invés de se esforçar pra fazer o seu melhor, não conseguiria mesmo, ela respirou fundo e afirmou: "então eu vou me esforçar muito"!

Tão bom quanto aquele cafuné, afago no momento de uma queda ou agradinho é o dizer não, vire-se e agir de acordo com as palvras ditas. Para que os filhos vejam que, sim, são capazes de se empenhar e conquistar com mérito próprio, dedicação e paciência, um progresso pessoal.

Por isso fiz questão de compartilhar esse texto com as amigas e dizer: "Eu voltei, agora pra ficar"!

Notícia: Mamadeira dos Bebês versus Obesidade

Imagem: profertilidade.org.br
Compilado do Estado de São Paulo online

Bebês alimentados com mamadeira correm mais risco de se tornarem obesos

Efe
LONDRES - Os bebês que tomam mamadeira têm maior probabilidade de se tornarem obesas quando adultos, segundo demonstra um novo estudo. 

Pelo menos 20 % da obesidade em adultos é causada por um excesso de alimentação durante a infância, de acordo com o especialista Atul Singhal, do Centro de Pesquisa de Nutrição na Infância do Instituto da Saúde da Criança, em Londres. 

Enquanto os bebês que são aleitados com leite materno limitam seu consumo próprio de leite, pois eles têm que fazer esforços para obtê-lo, aqueles que tomam a garrafa estão deitados e consomem a quantidade que lhes é determinada. 

De acordo com um estudo de Singhal publicado nesta quinta-feira, 30, pela "American Journal of Clinical Nutrition", e que reflete, por sua vez, o jornal britânico "The Guardian", há o perigo de que a essas crianças são oferecido mais leite do que precisam , o que iria abrir o apetite para o futuro. 

Os especialistas citados afirmam que quando esses bebês "são expostos a alimentos ricos em proteínas e gorduras, são mais propensos a se tornarem obesos." 

Desta forma, é desaconselhado os pais e profissionais de saúde sobre-alimentar seu bebê enquanto ele está saudável. 

Com essa constatação, Singhal estabelece pela primeira vez um fato cientificamente comprovado e anteriormente observado em animais e seres humanos: que a supernutrição no início da vida leva a problemas relacionados com sobrepeso na idade adulta.

Palavras que recebi hoje... nada a acrescentar

A morte de cada dia



"Num artigo muito interressante, Paulo Angelim, que é arquiteto, pós-graduado em marketing, dizia mais ou menos o seguinte:

"Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte a ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.

Se você quer se rum bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente.

Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.

Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento, ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinho, sem ter de dividir espaços, protejo e tempo com mais ninguém.

Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior.

E qual o risco de não agirmos assim?

O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetando para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transofrmando em projetos acabados, híbridos, adultos infantilizados.

Precisamos manter as virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc.

Então o que você precisa ainda hoje matar em si para que nasça o ser que você tanto deseja ser? Pense nisso e MORRA! Mas não esqueça de nascer melhor ainda"!

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e  pessoas incomparáveis (Fernando Pessoa)

Obrigada à minha amiga Poshee que me mostrou esse texto num momento em que a mudança se faz necessária, a  morte parece próxima e o cair de máscaras anda acontecendo numa força descomunal.



O Lar e a Simplicidade

A morada é onde muitas vezes repousamos, comemos, investimos, deixamos nossos pertences. Um lugar de passagem, para muitos adultos como nós.

Pra mim, mais que um estacionamento para o corpo, o lar é a construção diária de afetos, conforto, anseios, onde depositamos as emoções ao longo do dia ou após passarmos bastante tempo fora dele. Por isso mesmo, precisa ser simples, original e ter a nossa cara, para que nos sintamos à vontade e desejemos nele permanecer, mesmo que tenhamos apenas algumas horas, mas que tenhamos mesmo vontade de ficar.

Assim, eu não conseguiria habitar um local milimetricamente decorado por um/a arquiteto/a que algumas vezes ao longo de um mês passasse algumas horas comigo e o maridão. Afinal, para ter a nossa cara, tem que conter a nossa história, as nossas fotografias, os móveis que escolhemos, aos poucos, delineando nosso jeito de ser, evoluindo como o nosso relacionamento.

Logo que fomos morar juntos, nada combinava com nada; era uma mistura que não tinha pé nem cabeça. Mas era assim mesmo que nós éramos, histórias que se uniam trazendo as diferenças, as semelhanças, a grana curta e muitas expectativas.

Hoje, já nos desfizemos de muitos dos objetos que fomos adquirindo ao longo do tempo e fizemos a energia circular, como dizem no feng shui; distribuímos um pouco de nós e recebemos também um pouco de quem faz parte do nosso crescimento: novos amigos, parentes que se aproximaram ou que partiram, mas que deixaram a sua marca... E também a saudade, é claro!

Mesmo que hoje a gente ache que tudo esteja harmônico, cada vez mais trazemos algo de fora pra complemetar: conversas, olhares, novas idéias e muita vontade de continuar mexendo, tornando, assim, esse lugar uma espécie de obra inacabada e flexível, moldável como argila.

Agora, enquanto escrevo, mil momentos me vêm à mente e fico realmente emocionada por poder dizer que fomos conquistando espaços; talvez essa seja a razão pela qual me emocione tanto quando alguém diz que está se mudando, vendendo, comprando, alugando e até demulindo sua residência.

Deu vontade de mexer nos guardados e pegar o Alemão pra olharmos as fotos, relembrarmos as conversas, os sonhos e os projetos que tínhamos, as coisas que conquistamos e analisarmos como nossas metas foram se modificando a cada novo membro que chegou: a compra do primeiro cão (Patrick), depois a adoção de um vira-lada maneiro (Bob Esponja), mais tarde a tão sonhada primeira gestação que nos trouxe a desafiadora Larissa, pra completarmos com a chegada do Caio, que nos convida a olhar pra tudo de um jeito diferente, mostrando que quanto mais simples e menos cheia de cacarecos, melhor fica a casa. - E é claro que vou fazer isso ainda hoje, depois que os pequenos dormirem!!!

A casa foi ganhando novos contornos: brinquedos, livros infantis, rabiscos nas paredes (sorte que inventaram as tintas laváveis!), pareces coloridas... E novos sabores também, porque as crianças nos fazem olhar até para os alimentos que circulam pela cozinha de uma forma diferente!

Eu adoro frutas, sopas, saladas, mas para atrair as crianças acho que a cozinha virou uma espécie de canto de alquimia. E parece que quanto mais natural, mais saboroso fica o alimento, enquanto eles ainda são pequenos. Meus filhos saboreiam as frutas com prazer. Mas a loira já chegou àquela fase em que tudo parece nojento, já que começou a conhecer os sabores artificiais e se identificou com a alimentação cheia de tranqueiras de alguns amigos, mas ainda sem ter abandonado completamente, graças a Deus, a naturebice que aprendeu em casa.

Então, de certa forma, acho que minha casa, em sua complexidade, é um lugar mais simples e muito mais bacana do que aqueles locais planejados e assépticos, mas por isso mesmo é um lugar onde me sinto completa e feliz. E percebo que cada vez mais gente gosta de vir aqui... talvez seja reflexo de tudo isso!

Beijos, bom feriadão!


Hoje é dia de blogagem coletiva e o tema é VIDA SIMPLES NO LAR!
Embora ontem tenha postado algo que passa perto, vou escrever algo assim, nessa linha, sobre o LAR. Mas pode ser amanhã, que hoje eu corri pra caramba e estou exausta?


Por uma vida mais simples?


Andei lendo em vários lugares as "mais recentes" descobertas sobre amor e sexo. Bem, como me interessam os temas, fui a várias fontes que, caso lembre, darei crédito, com certeza.

Numa delas, falava-se sobre a complexidade do raciocínio de uma pessoa apaixonada, que leva a resolução de questões imediatas para a concretização do desejo urgente, ou seja, pra chegar ao sexo. Isso seria inerente ao ser humano em qualquer idade, fazendo com que tendamos a especialização, a ficarmos mais detalhistas e racionais. Por outro lado, quando se pensa em amor, o horizonte se amplia, os projetos são para longo prazo e mais abrangentes.

Ok, isso quem é adulto já sentiu na pele em algum momento e sabe o quanto a paixão é gostosa, cheia das suas taquicardias, ansiedades, adrenalina a correr pelo corpo e tudo o mais. O amor, então, se o relacionamento evolui a esse ponto, faz com que a agitação cesse, o organismo serene de modo a sentirmos conforto e prazer em hábitos e rotina, o que não caberia na paixão. Indo um pouco mais além, a paixão prima por um foco (único), que levaria ao colapso quem só vivesse essa fase de relacionamento por um período longo, pois o organismo chegaria à exaustão.

O amor, como diz a música da Rita Lee, "é um livro, sexo é esporte" - e acho que ela conseguiu traduzir muito bem o que li em revistas como Superinteressante e Vida Simples. Ele permite que se transfira e amplie os sentimentos bacanas a formação de redes afetivas, um verdadeiro ORKUT da vida real.

Só que o amor nos leva a nos enredarmos cada vez mais, nos envolvermos e aprofundarmos essas "teias", a sairmos da superficialidade e também a deixarmos de lado o egoísmo que o prazer imediato proporciona. O bem-estar do parceiro (e do casal, dos filhos), a capacidade de doação, o envolvimento demandam uma energia tão grande quanto a que disponibilizamos na paixão, mas é uma distribuição dessa energia. Talvez a palavra mais certa para tentar descrever algo tão bacana seja entrega. Talvez compaixão. Não sei se algo pode resumir a palavra amor em poucas palavras.

Afinal de contas, é mais simples viver em função apenas do tesão que outra pessoa te desperta? Ou simplifica a vida amar e ser correspondido, investir para que a rotina não transforme um casal de namorados em irmãos?

O que demanda mais empenho?

O que li numa das reportagens das revistas que citei diz que a criatividade fica a milhão com a paixão. A revista Nova e outras ditas femininas falam a cada novo mês que descobriram a maneira para manter a chama da paixão acesa e manda ver em receitas prontas que muitas de nós, mulheres, tentamos seguir, ávidas por emoções fortes que nos façam sentir praticamente adolescentes. Mas fico em dúvida, porque vivo neste meio cheio de amor que é a família, com o núcleo (filhos, marido, cachorros) e com o que alguns chamam de agregados (sogros, cunhados, sobrinhos, avós, tios, primos, amigos de infância...) e me sinto ainda mais desafiada a ser inovadora, a me modificar e a sair de mim para entender o ponto de vista dos outros. Saber que meu jeito de viver é imperfeito e que podem existir outros tão bons quanto esse, ou ainda muito melhores.

Será que tem como acertar em cheio quando falamos de relacionamentos?

Algumas respostas (sem ordem de importância)

Se a questão é material, tem muita coisa... além de tudo que já pensei no post anterior!

  1. Chuva de verão
  2. Brisa
  3. Sol
  4. Salão de beleza
  5. Livros
  6. MAR!
  7. Frutas
  8. Cama confortável
  9. Sofá, pra dormir lendo ou ver um filme
  10. Colar de pérolas
  11. Teatro São Pedro, em Porto Alegre
  12. Fotografias, álbuns, scrapbooks
  13. Toalhas macias e com cheirinho de sol
  14. Grama sem rosetas pra trocar energia com o planeta
  15. Árvores, flores, samambaias
  16. Animais, todos eles
  17. Computador
  18. Edredom, independente da estação

Dirtamente do SJ: inventário de coisas que fazem a vida valer a pena


Hoje vi o Saia Justa e fiquei pensando, talvez seja mera coincidência, mas o tema felicidade e em particular o que faz a vida valer a pena tem sido uma constante em meu caminho. No programa já citado, na revista Mente e Cérebro, nas conversas enfim...


Mas hoje estou colcoando para mim mesma a pergunta: quais são as coisas pelas quais a vida vale a pena?


Será que vale tudo aquilo que listei anteriormente ou tem de ser algo palpável mesmo?
Se forem coisas mesmo, tenho que pensar um bocado, mas não vou esquecer de um bom espumante, livros, cama confortável, bom... agora preciso levar os cãe spra fazer xixi que a chuva passou.
De manhã eu penso, de tarde talvez responda.

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