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Mãe, real, sem realeza - parte 1

Do bagaço dá aproveitar alguma coisa!
"Meu Deus, faz dias que não nos falamos.  Sei que não me esqueceste,  mas deixa que me apresente: aqui quem Te fala é um bagaço de mãe. Uma mãe que está há muito tempo cansada e que, nos últimos dias, sentindo que a bateria  pode arriar novamente, embora mal tenha  me reerguido. Nos últimos dias ando me vendo assim. Corro, corro, às vezes sinto que meu caminhar é como o de uma lesma diante de tudo o que é preciso fazer. Mas continuo tentando. 






A rotina aqui em casa ficou muito afetada com a saída da nossa diarista. Ela nos ajudava muito e, ao dizer de uma hora pra outra, que começaria a trabalhar num restaurante, fiquei como alguém com bolhas nos pés. Desconfortável. Se priorizo organizar a casa, pareço estar deixando as crianças de lado; se fico com as crianças, a casa fica virada. Se trabalho... aff!


Trabalho em casa, como Tu bem sabes; o marido, também. Para as crianças, estar presente e diante de um computador, é preteri-las, com toda a razão. Como elas basicamente usam o computador para brincar, buscam volta e meia participar do que fazemos. Temo que elas pensem que é mais divertido estar com uma máquina do que com elas. Pra mim, é muito claro que não é esse o sentimento, mas ter optado por trabalhar enquanto elas estiverem na escola não tem funcionado, já que tenho ficado bem envolvida com faxina e outras coisas da casa que precisam ser feitas. Então tenho tentado trabalhar depois que as crianças dormem ou, se dá, enquanto elas brincam, ou assistem TV. O bom é que, depois de muito diálogo e negociação, estamos conseguindo montar o escritório. Acho que isso colocará limites em todos nós.


Falando nisso, hoje consegui convencer a Larissa a sair de casa pela manhã. É uma vitória que ela não tenha resistido muito, já que ela contava as horas pra ir pra casa da melhor amiguinha e achava que ficando estirada no sofá com cara de  gatinho sem dono  mudaria alguma coisa. Caminhamos até a praça com os cachorros e o Caio, que adora conduzir o Patrick e o Bob Esponja, está amolado, então reclamava muito dos bichinhos não o obedecerem. 


Mas as crianças gostaram de jogar gravetos pros cachorros buscarem, como estávamos perdendo o hábito de fazer... Andaram de balanço e se penduraram no trepa-trepa, observaram os pássaros e ficaram pensativas sobre a praça sempre ter poucas crianças. 

Aliás, ando me sentindo perdida no meio de tantos pensamentos pra organizar, sabe? Coisas que pareciam certas na educação das crianças estão virando retrocessos, Pai. As crianças andam rebeldes, desde que voltei a trabalhar. Esperava que fosse lidar muito bem com isso, mas agora estar mais arrumada ou menos com cara de mãe (isso existe?) virou motivo de cobranças - da Larissa. E ela resolveu fazer seu protesto andando desarrumada, escabelada,  embora seja bem vaidosa.


Falando em vaidade, Pai, dá uma forcinha... preciso que meus hormônios se reorganizem, urgentemente! Enquanto a endócrino e a psiquiatra debatem o que fazer com minha dosagem hormonal, eu fico engordando mesmo quando não tenho apetite, perdendo cabelos... Se fosse uma capa de livro...


Imagem: Revista Pais e Filhos

... e o que parece tão evidente é que me vejo exausta, impaciente, chegando a ser intolerante em várias ocasiões. Por quê? Porque quanto mais tento dar conta de tudo, mais desafios me aparecem. Acho que devo ter cara de FAZ-TUDO. Talvez eu tenha deixado que pensassem que fosse isso mesmo, uma pessoa capaz de lidar com muitas situações ao mesmo tempo. Inclusive eu acreditava nisso.

Mas a maternidade tem questionado isso e me convidado a repensar a forma como conduzo os projetos de vida. Sempre tentando acertar tenho feito muitas coisas que agora questiono.  Te juro que ontem, na hora em que estava marcada a reunião com a profe do Caio, minha vontade era de estar dentro de um ofurô, cheio de pétalas e velas, som de flautas, num momento de esquecer mesmo que o pequeno estava doente e que vínhamos de madrugadas insones porque ele tem vomitado. Ando tão zureta, que indo pra reunião vi algo inédito: deixei o tanque de combustível ficar tão vazio a ponto de piscar e eu te pedir que me ajudasse a chegar até o posto de gasolina a tempo de o carro não parar no meio do temporal.

Imagem: www.pixmac.com.br


Senti vergonha de orar por isso, meu Deus, mas foi o que fiz. E lembrei de ter lido e ouvido que nunca me deixarias só. Lembrei que os atritos que estava tendo com a Larissa são bobos e que em muitos momentos não teriam acontecido se eu não andasse tão linha-dura. Lembrei que andava me sentindo culpada por não dar conta de tudo e continuar internamente me cobrando pra ser a supermãe (a recaída é óbvia, no modelo de mãe idealizado)... 

Muitas idéias me vieram à mente e nem percebi na hora de quantos perrengues saí ilesa nessas semanas tinhosas que vínhamos vivendo. Cheguei à reunião esbaforida e lá ouvi coisas que acalmaram meu coração. 

Ouvi que o desenvolvimento do meu filho está excelente e que ele assimilou rapidamente o funcionamento da escola com rotinas e combinações, que respeita os amigos e inclusive os chama pra guardar os brinquedos e compartilhar livros de histórias. Que é solidário, participativo e está começando a soltar o verbo...  
Imagem: www.ruadireita.com



Uma certa paz voltou ao meu coração. Porque na verdade, eu sabia disso, mas estava vendo tudo de um modo tão quadradinho, que nem chegava a notar os progressos com condições de festejá-los. Tinha momentos felizes nisso tudo, Senhor, mas não os vivia porque a pressão interna era muito forte. E resolvi esvaziar a pressão me permitindo curtir, antes que explodisse.



Cheguei em casa conversando mais calmamente e comemos cachorro quente em paz. O Caio não quis comer e não insisti, porque descobri que os coleguinhas estão com a mesma virose. Se quisesse só tomar leite estávamos no lucro.

Decidi cancelar o plano de dados do celular. Viver pra verificar recebendo duplamente as mensagens e spams... não quero. Acho muito chato aquele barulhinho do aparelho recebendo mensagens até de madrugada. É preciso se desligar de vez em quando pra não acabar jogando o negócio na privada.


Consegui dormir melhor, depois de assistir uns filmes , um deles falando muito sobre o quanto os pais são importantes para os filhos e tudo o mais que por vezes não nos colocamos no lugar deles... Se chama 'as melhores coisas do mundo' , que é muito bom, me fez lembrar de uma época tão boa... tempos de escola!  Dormi no sofá como criança e acordei disposta... 

Depois da praça, fomos almoçar e comi abobrinha à dorê, polentinha, porque é permitido gostar também, né... e as crianças comeram o que costumam comer, tomaram sucos, elas não estão diferentes dos amigos. Eles são educados, queridos, mas se sentem à vontade pra fazer exceções às regras quando estão em família e pra dizer o que sentem e pensam quando estão conosco. São normais. E é normal que eu tenha dias em que queira mesmo paz e sossego e diga 'que bom, hoje a Larissa vai dormir na casa da melhor amiga', sem me preocupar se ela vai comer só chocolate esticadinho dessa vez.

Mas, sabe, Pai, eu estou me dando conta de que a cobrança é minha, não é dos outros,  eu que sempre tenho esse medo tão grande de errar e acabo por, então, sempre que retornar a esse comportamento. Quando acontecer preciso que me sopres um puxão na orelha e entender que me dedico, mas nem tudo depende de mim, do meu controle ou da minha vontade. Sou a melhor mãe que consigo ser,  mas a vida dos meus filhos e da minha família depende de todos e de cada um. Tenho fé de que isso possa me ajudar a seguir em frente, como um mantra. 



Amém".

Selo bt Anne Rammi
Esta foi minha participação na blogagem coletiva proposta pela Carol Passuello.


Modelo de Mãe #fail - mea culpa

Quando pensava em que tipo de mãe eu gostaria de ser, não tinha dúvidas: a que daria conta de tudo. Que não precisaria cozinhar, mas o saberia muito bem; que teria tempo para brincar com os filhos sem deixar nenhuma de suas outras atividades mal-feitas, a casa ficaria organizada, que teria a paciência que faltou à minha mãe ou que seria tão boa quanto ela, porque a minha mãe é boa em muito do que faz. Seria a melhor amiga da minha filha.  Conseguiria trabalhar, estudar e ser mãe amorosa sem perder qualidade de vida. Seria "safa" e trocaria pneu, teria um corpinho de sílfide,  com tempo pra namorar o marido, enfim, seria um protótipo de perfeição.

http://ziraldo.blogtv.uol.com.br/
Esse modelo de altíssima exigência é a minha cara. E cada vez mais tenho tentado refletir sobre até que ponto o modelo de mãe que criei pra mim tem sido útil.

Li vários dos livros de "sobre como" educar crianças, busquei nos mais experientes os caminhos para uma maternidade plena, feliz. Eles em parte muito me ajudaram. Em alguns momentos, atrapalharam bastante, porque as receitas não funcionam do mesmo modo com pessoas diferentes. Então me atrapalhei. #fail

Tive depressão pós-parto ("como assim, se ela queria taaanto ter filhos?"); estrias mesmo com tanto óleo de amêndoa e hidratantes; os partos não consegui que fossem normais apesar da dilatação de 9cm e das contrações induzidas porque as crianças ficaram em posições que poderiam prejudicar a saída; não conseguia relaxar e dormir mesmo quando a Larissa estava ressonando, porque tinha receio de não atendê-la e ela sentir que tinha uma mãe relapsa.

Com o tempo, o nível de exigência que eu tinha também estava sendo repassado à minha filha. Ela falou cedo, caminhou sozinha no dia do aniversário do vovô, adaptou-se em escola no priemiro dia, me dizendo que "escola era lugar de criança, que eu fosse embora" e nunca teve retrocessos nesse sentido.

Mas eu também sempre falei com ela de igual pra igual e dei muitas explicações; estive muito esgotada de tanta dedicação (será que ela já pediu por isso?); me comportei como uma mãe-missionária, como comentei no post da @ctlongo (Calu) na Rede Mulher e Mãe, que se via como o esteio da família, que colocava a família como prioridade e estava me posicionando do mesmo modo que sempre vi minha mãe fazer: eu que sei fazer isso ou aquilo, como cuidar das crianças e acabei em muitas ocasiões podando as iniciativas do Alemão.

Assim, me tornei uma pessOa ainda mais crítica do que já costumo ser. Fiz bullying comigo mesma, sempre achando que não era boa o suficiente. Insatisfeita, triste, tinha a sensação de não estar nunca no eixo e voltei a adoecer da alma. E banho tomado, dentes escovados, consultas médicas em dias tinha de ser o suficiente.

O tempo foi passando e eu fui me tornando cada vez menos mulher, esposa, companheira. E cada vez mais mãe. Até do marido, embora nunca tenhamos nos chamado de pai e mãe a não ser quando queremos nos referir um ao outro para as crianças. 



Fez falta ser mais mulher, profissional, mas posso dizer que não me lembro de ter deixado de ser amiga - pelo menos em alguma coisa eu posso dizer que me sentia estar "bem na foto".

Aí vem um outro post que complementa o da Calu, no mesmo site e, lá, a Glau (@BlogCoisaDeMae) fala que está em crise com ser "apenas" mãe e perder suas outras identidades. Já faz um ano que estou na batalha por resgatar todas as outras Ingrid que eu sou, através da terapia. E é uma luta constante, nada fácil. Em outros momentos fugi da terapia dando mil desculpas.


Gera ansiedade sair do compportamento padronizado ao longo de 35 anos e que repassei à minha filha, que já está entrando no mesmo esquema de eterna insatisfação, de cobranças por uma dedicação ou comparações com outras pessoas que parecem não ter fim.


Por mim e por ela é que estou buscando fazer diferente e me sentir menos cativa das escolhas que fiz. Flexibilizar e remodelar as coisas. 


Nesse momento em que estamos todos nos readaptando a ter mãe que também trabalha profissionalmente, vejo que a minha pequena está dividida. Ela quer a mãe com 100% de dedicação, mas sente orgulho das coisas que compartilhamos sobre como é bom ter uma atividade que se goste de fazer, além de cuidar da família.


Imagem: http://www.pititi.com
Me sinto culpada, em alguns momentos muito impaciente e ansiosa, mas bem menos do que quando era só mãe. O desafio está posto, procurar um equilíbrio.        

Vejo flores em você!

Imagem: Google Images
"Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você!
Isso é o que mais me agrada,                 
Isso é o que me faz dizer...
Que vejo flores em você!"

Minha gente amada, não tenho palavras pra descrever como foram importantes a participação ativa e as palavras de cada pessoa que leu o post anterior e a entrevista no blog da Patricia Viale. Sou muito grata meesssmo.


Eu vou admitir aqui: estava com medo. Medo de encarar novos desafios, de dar a cara a tapa num novo trabalho, de dizer que não sei se estou fazendo bem o suficiente. #prontofalei

E de onde vem esse medo? De estar há 7 anos envolvida plenamente com a maternidade? De ver se repetir a cena de quando voltei a trabalhar e a Larissa era bebê, ver que não foi legal pra ela eu trabalhar lecionando à noite? De ver que eu posso gostar de trabalhar tanto quanto gosto de ser mãe em tempo integral? Do bullying materno (rsrsrs)?

Pois é, eu estava amarelando. Deve ser natural, em tudo que é novo, esse receio do desconhecido, ainda que desejado e saudável processo de desacomodar as coisas.

Mas a turma do vamos colocar a mulher pra cima apareceu e mostrou sua força! E só posso dizer que estou muito grata pelas palavras de incentivo, pela torcida, pelo que disseram conhecer de mim através do blog - a gente vai criando uma intimidade absurdamente boa, não é?!  E quero dizer que meu fim de semana foi feliz.

Pude tirar uns dias com meu Mano e conversamos, rimos, falamos sério, fomos também passar a tarde de domingo na praia com os primos e recarreguei a bateria para encarar de frente os desafios, com a confiança de que tenho uma porção de amigos e bem mais forte posso cantar, mas não uma canção do Roberto Carlos, mas do Ira:






MÃE (Martha Medeiros)

Vamos esclarecer alguns pontos sobre mães,ok?


Desconstruir alguns mitos.


Não, não precisa se preocupar.


Não é nada ofensivo, eu também sou mãe...e avó!


Vamos lá:

MÃE É MÃE: mentira !!!


Mãe foi mãe, mas já faz um tempão!


Agora mãe é um monte de coisas: é atleta, atriz, é superstar.


Mãe agora é pediatra, psicóloga, motorista.


Também é cozinheira e lavadeira.


Pode ser política, até ditadora, não tem outro jeito.


Mãe às vezes também é pai.


Sustenta a casa, toma conta de tudo, está jogando um bolão.


Mãe pode ser irmã: empresta roupa, vai a shows de rock pra desespero de algumas filhas, entra na briga por um namorado.


Mãe é avó (oba, esse é o meu departamento!): moderníssima, antenadíssima, não fica mais em cadeira de balanço, se quiser também namora, trabalha, adora dançar.


Mãe pode ser destaque de escola de samba, guarda de trânsito, campeã de aeróbica, mergulhadora.


Só não é santa, a não ser que você acredite em milagres.


Mãe já foi mãe, agora é mãe também.



MÃE É UMA SÓ: mentira !!!


Sabe por quê?


Claro que sabe!


Toda criança tem uma avó que participa, dá colo, está lá quando é preciso.


De certa forma, tem duas mães.


Tem aquela moça, a babá, que mima, brinca, cuida.


Uma mãe de reserva, que fica no banco, mas tem seus dias de titular.


E outras mulheres que prestam uma ajuda valiosa.


Uma médica que salva uma vida, uma fisioterapeuta que corrige uma deficiência, uma advogada que liberta um inocente, todas são um pouco mães.


Até a maga do feminismo, Camille Paglia, que só conheceu instinto maternal por fotografia, admitiu uma vez que lecionar não deixa de ser uma forma de exercer a maternidade.


O certo então, seria dizer: mãe, todos têm pelo menos uma.


SER MÃE é PADECER NO PARAÍSO: mentira!


Que paraíso, cara-pálida?


Paraíso é o Taiti, paraíso é a Grécia, é Bora-Bora, onde crianças não entram.


Cara,estamos falando da vida real, que é ótima muitas vezes, e aborrecida outras tantas, vamos combinar.


Quanto a padecer, é bobagem.


Tem coisas muito piores do que acordar de madrugada no inverno pra amamentar o bebê, trocar a fralda e fazer arrotar.


Por exemplo?


Ficar de madrugada esperando o filho ou filha adolescente voltar da festa na casa de um amigo que você nunca ouviu falar, num sítio que você não tem a mínima idéia de onde fica.


Aí a barra é pesada, pode crer...


MATERNIDADE é A MISSÃO DE TODA MULHER: mentira !!!


Maternidade não é serviço militar obrigatório!


Deus nos deu um útero mas o diabo nos deu poder de escolha.


Como já disse o Vinicius: filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los, como sabê-lo?


Vinicius era homem e tinha as mesmas dúvidas.


Não tê-los não é o problema, o problema é descartar essa experiência.


Como eu preferi não deixar nada pendente pra a próxima encarnação, vivi e estou vivendo tudo o que eu acho que vale a pena nesta vida mesmo, que é pequena mas tem bastante espaço.


Mas acredito piamente que uma mulher pode perfeitamente ser feliz sem filhos, assim como uma mãe padrão, dessas que têm umas seis crianças na barra da saia, pode ser feliz sem nunca ter conhecido Paris, sem nunca ter mergulhado no Caribe, sem nunca ter lido um poema de Fernando Pessoa.


É difícil, mas acontece.


MAMÃE, EU QUERO: verdade!


Você pode não querer ser uma, mas não conheço ninguém que não queira a sua.

Pensando sobre os posts alheios no dia das mães






Foi pensando sobre o post da Iara, do http://foifeitopraisso.blogspot.com/ que me peguei pensando como é que a gente decide ser mãe ou não ser.

Sempre pensei que adoraria sê-lo, adorava brincar de bonecas e imitar as mães que me servem de referência até hoje; não apenas a minha, que é tudo aquilo que falei ontem e muito mais, mas também as minhas madrinhas, as vizinhas, as que via nas páginas da revista Pais & Filhos que a mãe lia... As que encontrava nas salas de espera de dentistas e pediatras também. Ih, foram muitas!

Uma coisa é certa: só entendi muitas das coisas que a mãe fazia, desejava experimentar e como reagia de vez em quando me tornei mãe. É muito estranho, a gente quando se dá conta, por mais que tente espantar alguns dos hábitos familiares, acaba por mantê-los; por vezes, o que acha bacana perpetuar, os filhos detonam; acho, na verdade, que os filhos vêm pra bagunçar o coreto e colocar em xeque as certezas, as críticas que tínhamos sobre os filhos dos outros ("ah, se fosse meu filho"), porque quando querem, eles são mais intensos do que tudo aquilo que tínhamos pavor de assistir.

Mas eles são capazes de nos dar lições profundas e semear interrogações com o simples gesto, por nos conhecerem, imitarem, provando que todo discurso é vão se as atitudes são o melhor exemplo; nos pegamos contraditórios e vemoes que eles espelham tudo aquilo que não conseguimos perceber em anos de terapia. Eles nos levam ao limite. Em todos os sentidos.

Por mais que me achasse preparada pra ser mãe... Larissa e Caio provaram que ninguém está tão preparado assim.

A maternidade é mais do que instinto; a gente vai aprendendo na prática e não acerta sempre.

Por isso, medonhos, eu digo que tem dias em que penso em como vocês conseguem ser tão maravilhosos, brilhantes, apesar da mãe que têm. Tenho vários erros na bagagem, mas minha auto-crítica também me leva a lugares que só podemos chamar de consciência.

Por isso, o melhor que pude receber da vida são vocês; nenhuma tese de mestrado ensinou tudo o que vocês teimam em ensinar, principalmente sobre humildade - esta que confesso que não costumava ter.

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Ainda sobre dia das mães e tal, minha ida à serra foi por água abaixo, literalmente. Fui dormir às 3h30min de hoje porque nosso Bob Esponja vomitou pela casa e fez xixi na nossa cama, enquanto o Patrick, o nosso outro cão, fazia cocô pela sala - sim, eles foram levados para passear. Parecia conjunção astral para mudarmos o roteiro, quando a chuvarada começou e tínhamos de secar edredons, ver se os cães melhoravam e fiquei com o coração cachorreiro inquieto sobre deixá-los aqui sem cuidados maternais e paternais.

Assim, acordamos, vimos a chuva e acabamos recebendo as crianças pra dormir mais um pouco na nossa cama, apertadinhos, mas uma delícia, porque cheiro dos filhos e carinho deles enquanto dormem é fenomenal...

Acordei meio bêbada de sono e vi que até tinha uma nesga de sol, mas não quis acordar a galera. Falei com a mãe, a vovó, a minha tia, a sogra (essa que parece mais mãe do que sogra)...
Quando o pessoal acordou, já estava meio que preparando café, nem sei direito, continuava meio perdida.

Mas tivemos um almoço muito gostoso com meu irmão e meus pais lá na AABB. As crianças curtiram um monte a pracinha do clube com o vovô enquanto nós continuávamos no maior papo e constatamos que sempre temos assunto, mesmo que nos falemos 3, 4 vezes ao dia.

A gente fala pelos cotovelos mesmo, talvez até tenhamos deixado o Mano e o marido tontos.

Falando nisso, estou meio guenza e as crianças continuam a mil. Vou ver se coloco todos na cama e termino a hidratação no cabelo, que amanhã a agenda está repleta de compromissos e preciso ter cara de quem se cuida quando me olhar no espelho. Um mimo pra mim mesma.

Amanhã vejo se coloco as nossas fotos deste domingo que está muito gostoso, repleto de carinhos quentes, como diz o livro do Shinyashiki.


Essa é pra minha mãe!

Dona Ciça, essa é pra ti. Já te ouvi cantar essa música tantas vezes que, quando pensava em algo pra te homenagear, caí na risada e cantei aquela música do Falcão:
"Ai, minha mãe, minha mãe,
Ai, minha mãe, minha mãe,
Ai, minha mãe, minha mãe,
É a mulher do meu pai"!
(continua depois do banho do Caio, que está até o pescoço de cocô!)

Voltandooo...


Sim, no caso a minha mãe é a mulher do meu pai, e não por acaso.

Mas ela também é a pessoa com quem sei que mais posso contar no mundo. Já me ajudou em situações muito difíceis, como as depressões pós-parto e o câncer de tireóide; tirou sarro das minhas trapalhadas e me mostrou que é possível (e necessário) saber rir de si mesma; deu limites à minha persistente impulsividade; ensinou a ter compaixão; mostrou que a simplicidade nos permitia usar a criatividade, quando não tínhamos a fartura desejada; mostrou que a fé faz uma tremenda diferença na vida; estimulou o gosto pela leitura, pelas artes plásticas, o turismo (mesmo em ônibus lotado e com a sacola cheia de lanches porque não podíamos gastar com as guloseimas dos parques e praças de POA) e também a apreciar a vida ao ar livre.


Claro, ela proporcionou um olhar sobre a vida que é único, o da superação dos limites e o do que o amor de uma mãe é capaz de enfrentar. E muito mais.

A dona Maria Cecília é guerreira, ativa (às vezes até demais), brava, cheia de garra e capaz de tirar a roupa do corpo porque não tem problema em dividir o que tem, vê todos os seres humanos como seu "próximo". Mas também foi minha primeria influência para me tornar bióloga, com seu amor à natureza e os saquinhos e mutirões para recolher lixo, antes mesmo de eu ouvir falar em ecologia.

Ela é aquela que espantava meus pretendentes a namorados; que agregava minhas amigas e confiava que eu sabia escolhê-las bem; a que sempre cuidou para que no meio da efervescência de milhares de salgadinhos e bolachas recheadas nós preferíssemos as frutas, as comidas integrais, mas sem radicalizar. Também nos fez tomar biotônico, sadol e emulsão Scott (a do peixe...)!!! - Mas que não deixou que me dessem gardenal porque estava na moda achar que todas as crianças eram hiperativas.
Se vestiu de papai noel, de gaúcho, de Araquém (lembram?), de palhaço... Fez festa de aniversário que acabou em menos de 5 minutos; não saiu pra ir ao supermercado sem passar um batonzinho; guardou minhas agendas, cadernos de recordação, proposta de doutorado nunca apresentada...
Fez propaganda, torceu pelo nosso namoro e sempre tomou o partido do meu marido - foi quem mais vibrou com nossa união.
A mãe é quem preparou muita gemada com canela e leite quente pra espantar as gripes no inverno e que jogava bexiguinhas com água lá da janela do 4º andar pra espantarmos o calor, porque é moleca, uma criança grande habita aquele coração.
Também tenho mil recordações das brigas, dos pegas-pra-capar e até das surras de colher de pau, mas elas nunca superaram o colo, o prato especial (arroz, feijão e banana) que minhas amigas de infância adoravam...hehehe! E o cheiro de mãe definitivamente foi um fator fundamental para querer retornar a Porto Alegre, depois de 7 anos fora daqui.
Ela me deu um irmão que não tenho como descrever em palavras, o melhor de todos!!!
E não fez questão de que eu me tornasse igual a ela, como se fossemos aquelas matrioshkas, bonecas que saem umas de dentro das outras, iguais, sendo apenas de tamanhos diferentes. Talvez por isso tenha sempre sido provocativa, não aceitasse de mim qualquer resposta e tenha me obrigado a aprender a argumentar e negociar, me impôr e a não aceitar qualquer coisa que me impusessem ou empurrassem. Queria que acreditasse em mim e me destacasse pelo que sou.

E, como avó, ela se supera... por isso as fotos. Mas sobre isso acho que vou falar no dia da vovó. Porque é supertarde e a Lalá está pedindo colo, cafuné e o Caio, como dormiu a tarde toda, está querendo subir na estante.

Nessa foto estamos com a minha avó paterna, que tem o privilégio de conhecer seus bisnetos. A avó materna teve esse privilégio algumas vezes, mas meus medonhos não tiveram o prazer de conhecer essa "bibi". Então, podemos comemorar o convívio entre 4 gerações e torcer pra que tenhamos essa bênção, de viver bastante para ver a vida tendo continuidade.










Beijo, mãe! Te amo!

Música da apresentação da Lalá: homenagem ao dia das mães

Dicionário resolve?



Como havia dito, ontem foi o dia de festa e eu estava toda pimpona para ver a apresentação e me emocionar com as peripécias inventadas pelas profes do Colégio Marista Champgnat com as primeiras séries. Foi emocionante ver as crianças "sinalizando" músicas, com a LIBRAS (Linguagem Brasileira dos Sinais) e mostrando que sabem fazer tantas coisas...




Os profes se uniram pra representar um livro que a minha loirinha levou pra biblioteca da sala de aula, sobre o cachorro Homero, uma historinha que a gurizada adora.


Me arrepiei com a música centenas de vezez ouvida na voz do Ed Motta ("No meu coração/ você vai sempre estar"), do filme Tarzan, como se fosse pela primeira vez que a escutasse.


Mas logo começaram as rebeldias, a teimosia e ainda assim insisti num programa entre a loira, a dinda Celi e eu, só meninas. A vovó Titita estava com conjuntivite e preferiu nem chegar perto, sabem como é...


Assim, fomos nós jantar fora, conversar, curtir. E estava bem bom!


Na chegada em casa, recomeça a baixaria, aquela implicância que não anda nada básica, a briga... Bem, pra resumir, fui chamada de idiota pela terceira vez nessa semana. Respirei fundo e ao invés de deixar a Larissa chorando no quarto, fui até a estante pegar o dicionário e conversei com ela sobre aquele livro imenso e pra que ele servia.


Ela estava com cara de quem fez cocô na calça... será que pensou que a serventia era pruma livrada na cabeça???


Então procuramos juntas o significado da palavra idiota e lemos juntas. Aí perguntei se ela sabia que tudo o que dizia ali era o que isso significava. Como a resposta foi um "não" bem envergonhado (seguido de "todo mundo na minha escola diz") e encolhidinha ela se preparava pra um sermão, só perguntei se ela achava que eu era o que tinha ali nas páginas do livrão.


Diante da negativa, propus a ela que pensasse no que ela sente por nós, família e amigos (a quem ela anda magoando muito) e a palavra amor veio cheia de lágrimas. Propus procurarmos no dicionário o que isso significava. E carinho, interesse, cuidado etc. foram as respostas, daí conversamos um pouco mais, ela disse que queria ser diferente, mas precisava de ajuda pra tentar melhorar.


Então nos abraçamos, oramos juntas e ela pediu ao Papai do Céu que ela conseguisse ter forçar pra mudar de comportamento e assim parar de ir dormir brigada com todo mundo, acordar de bom humor etc. - estou super confiante de que isso nos ajude a superar essa TPM fora de época que se instalou naquele corpinho!


Aí em seguida ela dormiu e suspirava tanto, que imagino que tenha se sentido aliviada, como eu.


[Assim que der, vou ver se a filmagem que a dinda Celi fez da apresentação pode ser colocada no blog, porque ela estava meio atrapalhada e ainda não conferi como ficou... Minha comadre Renata, que é surda, va adorar, porque a filhota está ensinando LIBRAS pra esta mãe que ficou sem prática.]

Hoje é dia de festa das mães na escola!

Essa foto é uma recordação de nossas folias na festa de dia das mães de 2008. Hoje minha coluna pede que eu não invente coisas assim, mas teremos festa com direito a fotos com altas produções, é o que diz o bilhetinho da Profe Magali.

Estou doida pra ver, afinal a Larissa anda cantando aos sussurros e ensaiando coreografias "secretamente", pois é muito barriga-fria, assim como a mãe dela. E a curiosidade, que estava sob controle com a função de arrecadar as mensagens da festa do caderno, agora veio à tona,
Hoje é o dia e espero que seja um momento de trégua, de carinho entre os altos e baixos emocionais da minha pimenta malagueta.

Temos direto tido nossos momentos de carinho, mas os estresses têm sido tantos...
Agora estou animada, faceira mesmo e pensando se o Mano vai junto, porque os pequenos não agüentam ficar quietos em apresentações, não é mesmo?

Estou pensando em inclusive ir apenas com a minha mãe, que adora participar da vida cultural na neta e fazermo um programa só de meninas... Acho que será bem divertido!!!
De repente jantarmos fora, num lugar bem gostoso (não, não vou levar ao Mac, ao Habbib's nem à pastelaria do Cenoura, que ela adora, porque a festa é das mães, então me sinto no direito de escolha).

E como estamos num período de muitos agitos ao mesmo tempo, no fim de semana estamos para curtir um dia de família "nuclear", como diz uma das minhas amigas psicólogas, na serra gaúcha, mais provavelmente em Bento Gonçalves. Assim, meu presente será, além de sair de POA, rever uma amiga de infância que eu amo muito e conhecer o filhotão dela... DELÍCIA!!!

Uhuhuhuhu!!! Acabou a greve de dizer MAMÃE!!!


Que bobeira, parece coisa de desmiolada, mas fiquei tão feliz quando voltei a ouvir meu filhinho dizer MAMÃE!!!

Gente, para esse coração canceriano e apaixonado pelas suas crias, a greve que o Caio resolveu fazer porque precisei desmamá-lo estava uma tortura chinesa... Não o desmamei por vontade própria, dig-se, mas como precisei tomar uma medicação fortíssima que ele não poderia receber pelo aleitamento materno... Não teve jeito!

Como me disse uma amiga, eu que estava sendo desmamada, pois adorava, era sonho mesmo poder amamentar muuuuuito os meus filhos. Com a Larissa, só consegui que isso fosse até o sexto mês, mas com o Caio chegamos a quase 1 ano e 3 meses. - Tá de bom tamanho, né, mas eu sofri muito por ter de dizer que a partir de dado momento não teria mais "mamá".

Claro que também já ouvi que tinha de deixar o pequeno crescer, que esse momento seria importante para o desenvolvimento dele e mil outras teorias, mas quem explica o afeto? O sentimento de culpa?
Já estava exultante com as conquistas de comer sozinho e não aceitar ajuda, mas nada me deixaria tão contente como o fim dessa greve...

Bom, sobrevivemos todos e nesse final de semana algo de fala voltou a ser esçoçado, já que DEDEI, TETÊTEI, DÁ, E DADAI ( = PAPAI) foram as únicas coisas que permaneceram desde nossa "ruptura". Me senti de castigo até hoje de manhã... Afinal, eram mais ou menos umas 16 palavrinhas que ele parou de emitir. Especialmente as que relacionavam com as mulheres da família (Bobó era a minha sogra, Mana foi a primeira palavra que ele disse...), nada mais saía daquela boca!!!

Desde quinta-feira ele tinha enrolado a língua a ponto de sair algo como BLEROBLÉRO, o que já soava ESPETACULAR, mas nada como ser chamada de MÃE às vésperas do dia das mães! - Estou radiante, abobalhada, cheia de ar nos pulmões que até pareço uma pomba.

Pensando no presente de dia das mães

Como no fds que vem será o dia das mães, nesse fomos para a praia, onde moram meus sogros. Além de todo aquele carinho de avó e avô que é "louco de especial", tinha balonismo em Torres (isso mereceria um tópico exclusivo), que estava muito bacana, dias de sol e céu sem nuvens, ar puro e um mar que não perde para SC exceto pela temperatura, que, aliás, nem estava tão fria.

Viemos para curtir e fizemos com calma, aproveitando todo os instantes, rindo e conversando como há muito não acontecia... Mas sabe o que não saía da minha cabeça? - Queria MUITO me inspirar para a escolha do presente da minha mãe, porque a Dona Ciça merece algo muito especial!


No ano passado, eu e o Mano demos um "spa-day" superbacana, com direito a massagem e até ofurô. Como ela adora coisas diferentes, isso depois foi complementado pelo jantar-surpresa de aniversário num restaurante mexicano - ao qual ela chegou vendada.

Sapatos, acessórios, roupas, bolsas, tudo isso já foi bola da vez em algum momento, mas... mesmo com todo o visual e o oxigenação cerebral, não sei ainda o que fazer.

Sei que toda aquela conversa comercial acaba nos pegando porque somos mulheres e adoramos presentinhos, surpresas...

Já pedi meu presente, coisa que raramente faço: um dia sem filas em restaurantes (nem quando morava em SP e a concorrência era maior do que em qualquer outro lugar eu engolia isso!), num lugar com muito verde e passeio de bicicleta, ou piquenique, enfim um dia sem pressa. - De repente role até uma visita ao templo budista de Três Coroas, com almoço no Toppo Giggio, que fica na estrada entre Taquara e São Chico. Vamos ver! Ando numa fase em que qualquer proposta me diverte!

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