Uma coincidência que a festa-surpresa pra minha querida amiga Rô fosse lá, pensamos, já que meu marido praticamente se criou com avós e entre plantas e animais silvestres num sítio ali pertinho, quando seus avós trabalhavam no Hospital Colônia que fica por lá...
Na medida em que nos afastávamos da área mais urbana e víamos a paisagem mais verde, os animais mais livres, o céu que estava lindo em azul e branco, muitas coisas poderiam ser ditas, mas o silêncio estava gostoso e era de um tom de intimidade, contemplação e agradecimento por poder desfrutar desse momento de apresentar pras crianças uma cidade que lhes pertence mas pouco conhecem.
Ao chegarmos lá, a alegria de amigos reunidos perto dum lago, um fogão a lenha, os abraços pelo aniversário da Rosane, as crianças correndo pela grama e descobrindo as belezas da simplicidade natural que imperavam em Itapuã.
Meu maridão estava com os olhos brilhando de recordações e os das crianças tinham aquele brilho de novidades a serem desbravadas.
Particularmente ando feliz demais por pensar que posso comemorar meus 35 anos daqui a alguns dias completamente diferente do ano passado, em que estava lutando para sair duma fortíssima depressão pós-parto.

Enquanto conversávamos, fotografávamos, apresentávamos alguns dos maridos que ainda não tinham maior intimidade, fui vendo o quão acertada foi a decisão de irmos juntos para aquele local, mas que de nada adiantaria sairmos se não estivéssemos, todos e cada um individualmente, no clima de retirada para um local onde celular fica quase sem sinal, internet só em sonho porque 3G não teria jeito, onde o negócio era se comunicar pessoalmente e com a natureza também.
Ao tentar pegar um passarinho, o Caio caiu no lago e adorou! A Lalá pescou com o pai; eles andaram de carrinho de mão comos e fosse a carruagem mais bacana do mundo; e nós tomamos chimarrão em roda, comemos uma comidinha tropeira depois pra brindar a amizade, um momento de desapego ao que os domingos costumam significar para muitos de nós na correria que sempre é a vida contemporânea: corrida de fórmula 1 na TV, jogos de futebol na TV, gente atirada no sofá (também é ótimo, sou super parceira pra isso!), mas uma coisa mais de se encasular, sabe?!

Nesse domingo a vida simples foi num lugar onde todos queríamos e adoramos estar, juntos. Mas se estivéssemos separados ou em outros locais, também poderia ter sido gostoso, desde que estivéssemos repletos de paz interior.