Diálogo não me parece algo difícil, mas vejo que sempre é complicado pra muita gente, especialmente pra minha família. É um tal de "fala pro fulano", "diz pra ela que...", "quem sabe tu, que tens mais jeito, faz o meio de campo"... Affe!
Eu, que gosto de falar pra caramba, detesto ser intermediária, já me conformei em ouvir essas coisas e fazer o papel de moleque de recado de vez em quando, mas as coisas não aprecem evoluir muito.
Só que quando as coisas são comigo, tipo falar das coisas que me incomodam, estou tentando (não necessariamente conseguindo) me policiar pra fazer as DRs mais eficientes, não apenas no casamento. Porque descambar e virar mágoa eu sei fazer bem, infelizmente. Quem não sabe?

Já saíram manuais sobre como devemos dialogar com pais, filhos, maridos e animais de estimação e a receita parece ser muito semelhante para todos os casos: ser objetivo, não partir pra acusações, elogiar as coisas boas e aí dizer o que realmente quer... Quem consegue sempre fazer isso? - Acho que bem poucos têm essa "sabedoria" toda.
Engraçado, mas raramente chamamos alguém pruma conversa assim "precisamos conversar" se for pra dizer EU TE AMO, elogiar, mas quando a coisa começa assim, todo mundo se posiciona na defensiva, porque sabe que lá vem bomba.
O dedo em riste, a acusação, o falatório podem começar e não ter mais fim, especialmente se não estamos prontos pra ouvir, já que diálogo pressupõe a participação de pelo menos 2 partes. Também complica se batemos sempre na mesma tecla... Porque alguém fica falando sem parar (geralmente, nós, mulheres) e o outro se limita a ficar com olhar de peixe morto, sem saber como aquela avalanche de desabafos começou e nem onde vai parar.
Daí vem aquele silêncio incômodo, às vezes um choro de raiva por não conseguir retorno, o tirar coisas do baú, ou o medo de dizer o que sente, a falta de disposição para a conversa, por sentir que conflitos não se resolvem.
Já vivi tudo isso e ouve um grande hiato entre mim e meu marido, mas também vejo acontecer em outras relações, não apenas as minhas. E acumular só leva a uma provável explosão, onde cobranças, chatices e atitudes mais radicais levam a uma ruptura que nem sempre tem volta.
Por isso mesmo, tenho tentado resgatar coisasbacanas nas minhas amizades, no namoro com meu marido e com as crianças e comigo mesma, pra não cair no niilismo, mas conseguir sempre ser mais otimista e feliz.

