Parei pra pensar e...

Sabem o que é felicidade? É ver que o clima ficou mais ameno e podemos preparar a quatro mãos uma sopa pra tomar em família; é tomar aquela taça de vinho pra comemorar que voltei a estudar e estou adorando; é ouvir do filho que fiquei linda porque pareço o Gato de Botas.

É acordar toda amassada com os sorrisos das crianças ao dizer "bom dia" pedindo chamego e pedindo pra fazer cabaninha, café na cama ou ganhar um colo porque sentiram saudades enquanto dormiam...

Pra mim, a vida pode ser simples assim e muito feliz. Ao mesmo tempo, ela é tecida com retalhos de panos complexos, que são as pessoas. E sou feliz por ter conhecido a maioria das  gentes com quem tive a oportunidade de cruzar em minha jornada.

Acredito piamente que temos a oportunidade de fazer algo diferente do usual quando temos consciência de que temos uma vida a ser vivida independente de grandes eventos que nos causem um grande choque, como um acidente ou uma doença.

Quando tive câncer de tireóide, achei que o mundo tinha aberto uma clarabóia onde todos os meus medos estavam guardados e despejado-os sobre meus ombros. Mas havia também uma força interna poderosa, a força daquele amor que meus pais haviam me dado e também dos amigos que, tendo conquistado, se tornaram irmãos, tanto quanto o Max. E olha que o Max é top quando se fala em irmão-amigo!

Quando vejo hoje que, passada a fase inicial da curiosidade, depois dos ciuminhos, a Larissa e o Caio são amigos, se divertem, contam um com o outro, penso exatamente nisso: é bom ter com quem contar. Porque naqueles momentos de festa, sorrisos são fáceis. Mas nos momentos em que temos uma dificuldade o sorriso e mesmo uma expressão de cumplicidade fazem tanta diferença!




E por que estou falando de tudo isso assim, como se tivesse bebido chá de maracujá com vinho doce? 

Porque os momentos difíceis nem sempre são percebidos por quem está de fora. Porque quem estava começando a pertencer àquele seleto grupo a quem chamamos de amigos fez diferença nessas semanas de intensa luta contra um grande medo que eu tinha. Talvez essas pessoas nem saibam o quanto foram imprescindíveis.

Mas, para essas pessoas, vou deixar aqui uma frase que sempre me anima: "sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece flores" - é um provérbio chinês.

Obrigada, de coração.


"Você deveria abrir um consultório" e outros pequenos fatos cotidianos

Hoje dei uma fugidinha do trabalho antes que viesse o temporal prometido - que não veio - e fui fazer as unhas, pensando em estar "ajeitadinha" para amanhã, aquele grande dia em que, após 11 da defesa do mestrado, vou voltar aos bancos escolares na UFRGS.

Achei que fosse ficar extremamente nervosa por causa desse retorno, já que tive alguns problemas que me  marcaram profundamente no encerramento da dissertação e, a partir disso, nem queria pensar em voltar a isso. Era um tema que causava angústia, irritação profunda, embora todo o processo de ingresso, aprendizado, estudos do mestrado tenham sido fantásticos e tenha conhecido gente fabulosa, outras que por si só dariam uma tese sobre o ego no meio acadêmico também.

Ao contrário do que pensava, o dia de hoje, que está quase acabando, foi tranqüilo. Na verdade, está sendo um caminho bem bacana esse que começou no momento em que voltei a fazer terapia. Tem gente que acha que isso é frescura, coisa de quem não tem com o que gastar ou amigos com quem contar, mas eu garanto que minha vida está mudando muito desde que comecei a escrever este blog e com a desconstrução de forma verdadeiramente analítica, com uma profissional competente e que conseguiu perceber o que nenhum outro médico conseguiu ver antes.




Imagem: http://webmail.cook.k12.ga.us/



E com ela pude rever fatos, ter novos olhares sobre as antigas situações. O engraçado é que, falo com ela sobre tudo que, em tese, eu sei muito bem como lidar. Mas que muitas vezes embolo no meio de campo, nos pequenos fatos do dia a dia. Dramalhões sobre questões pífias, excesso de zelo com coisas banais, medos bobos, falta de coragem... Engraçado que costumo ser vista como boa conselheira e hoje até ouvi no salão de beleza que deveria abrir um consultório. Na mesma hora comentei: - Aconselhar sobre a vida alheia é uma barbada...

E meter o bedelho na vida alheia realmente parece que é a especialidade do ser humano, não é mesmo?! Mas tem algo além disso: tem gente que lucra muito com a boa-vontade dos outros. E nisso eu não cheguei a cair mais de uma vez, mas fica a dica. Dramas e campanhas estão correndo soltas por aí...




Imagem: http://www.awmueller.com


Pois bem, vou falar uma coisa e espero que não seja vista como grosseria com quem não merece: andei dando bola para pessoas que considerei boas amigas na web. Me diverti, ri e chorei com elas, da mesma forma que aconteceu com várias amigas que tive desde a infância. O negócio é que tem gente que abusou ou fui eu que baixei a guarda, com a minha porção Pollyana que insiste em se fazer presente.

Só que cansei. E acredito que uma das coisas que tenho aprendido com esse tempo de web e com o caminho rumo aos 37 anos é fazer um filtro (talvez pelas lambadas, pelos plágios), mas confesso que em alguns casos em especial fui puro coração e estou vendo que as máscaras podem cair e que isso acontece com mais facilidade do que imaginava.

Por isso, em homenagem a essas pessoas, aqui está o selo de fim de nosso contato:







Desejo sorte, luz, paz de espírito para que não vá precisar de voduzar a vida de mais ninguém...

#BC: O que você faz de bom?



Hoje é dia 12 de março e logo ao olhar para a blogroll encontrei uma proposta interessante no blog da Fernanda Reali: ela dizia que a Bia, da Jubiarte, tinha convocado as pessoas a falarem do que fazem de bom.

Pode parecer estranho falar do que se faz de bom na vida, uma coisa meio vaidosa, de enaltecer a si mesma, mas não é essa a ideia. Na verdade, a intenção é mostrar como pequenos gestos são capazes de grandes mudanças, contribuições reais para que nosso mundo seja um lugar bom de se viver.

Sempre que penso no que sei fazer de bom, penso em três coisas: sou mãe, boa amiga e bióloga licenciada, ou seja: professora.

Como mãe, procuro dar exemplos - como disse a Fernanda em seu post, eles arrastam, muito mais do que os discursos convencem (e eu falo pelos cotovelos!). Seja de boas atitudes como gentileza, separação de lixo, questões de cidadania, afetividade... Mas principalmente de colocar pra pensar sobre tudo aquilo que parece banal, que "sempre foi assim" e outras ideias prontas. Assim, vejo que meus filhos, com 8 e 3 anos, não são pessoas que se deixem facilmente convencer por qualquer conversa mole. - Claro que isso me dá mais trabalho também, nem sempre o que eu digo é acatado de primeira, então tem coisas que exigem certa negociação, mas eu prefiro assim mesmo.

Como amiga, sou boa ouvinte. Quem me conhece sabe que sou solidária e capaz de encarar qualquer barra ao lado de meus pares. Mesmo quando eles nem sabem disso. Essa característica me traz alguns dissabores, mas tenho aprendido também que não posso desejar que as pessoas dêem a mim mais do que podem ou que espere delas o que eu faço, pois somos todos seres diferentes. Procuro estimular os meus amigos no que eles têm de melhor e também naquilo que nem acreditam que possam fazer. Acho que todos merecemos que pelo menos uma pessoa em nossas vidas seja assim com a gente.

Como professora, procuro não dar uma aula qualquer e sempre tenho em mente que o momento em que estou com um aluno ou professor (que é o meu público atualmente), estou com um indivíduo, que tem sua cultura, sua experiência de vida, suas questões, interesses que nem sempre são os mesmos que os que imaginava e isso exige uma certa flexibilidade, reflexibilidade, compreensão, coisas que com o tempo fui desenvolvendo, pois nem sempre fui assim.

Mas, de resto, sou daquelas que desde criança tentava salvar passarinhos, lagartas, lagartixas, patos, marrecos e tudo isso ia parar dentro de casa; paro para dar passagem para animais nas ruas ou os que passam pelas estradas; fico amiga facilmente de estranhos e vizinhos porque sou mesmo gregária e gosto de dar informações nas ruas, assim como também trato a nossa ajudante aqui em casa do mesmo modo que gosto de ser tratada: como um ser humano. E todas as pessoas que trabalharam conosco foram assim.

Aliás, essa é uma coisa que me intriga: como alguém pode tratar mal a pessoa que cuida de seus filhos, sua comida, sua casa, seus pertences e até animais de estimação?

Não vou colocar imagens nossas aqui agora, porque como tenho pressa nem vai dar pra procurar, mas creio que a imagem abaixo fale bastante sobre que tipo de pessoa sou e o que faço de bom:



http://ministerio-ressurreicao.blogspot.com

Teste da Violência Obstétrica - Dia Internacional da Mulher - Blogagem Coletiva

Olá, como vão vocês, mulheses neste dia 08 de março de 2012? E os homens, como se sentem nessa data?

Alguns dos posts que tenho visto no facebook têm me dado uma boa amostra de como esse dia, que lembra a morte de muitas mulheres que protestavam por melhores condições de trabalho em 1857 morrendo carbonizadas por isso - e que apenas foi reconhecido em 1910 - ficou banalizado. 

Já participei de algumas blogagens coletivas e levantei várias bandeiras, como as da doção de sangue e órgãos, por exemplo. Mas meu blog não é "apenas" de cunho de voluntariado. É o blog de uma mulher, mãe, espeosa, filha, estudante e trabalhadora que tem orgulho de ser quem é, mas principalmente tem orgulho das conquistas que nossa sociedade conseguiu alcançar com a luta de pessoas de ambos os gêneros. É também de uma pessoa que não deseja mais, como quando mais nova, que mulheres e homens sejam tratados como iguais, sendo que não o são; mas que deseja sobretudo que as diferenças sejam respeitadas.

Posso dizer que o respeito começa dentro de casa, com a forma como "criamos" e educamos nossos filhos e nossas filhas, ensinando-os a se valorizarem gostando de ser como são e entendendo que s outras pessoas não precisam ser como nós somos e que fazem escolhas diferentes das nossas.
Falando em escolhas... Quem aqui pode dizer que teve direito a fazer escolhas e foi respeitada? Em muitas ocasiões não sentimos que isso esteja acontecendo... MAS no momento da gestação, mais ainda que devemos lutar por nossos direitos!
Quando estava tentando engravidar, morando em São Paulo, era acompanhada por uma médica que o tempo todo foi muito especial comigo e, creio, com todas as suas pacientes: Dra. Renata Berrettini Abreu. Ela conversava de modo muito franco sobre as dificuldades que tínhamos para a concepção e foi muito firme em dizer que não me submeteria a exames dolorosos como histerossalpingografia sem que meu marido participasse ativamente fazendo exames também, até porque seriam indolores e ele era parte interessada no processo. - Só isso já bastou para que eu adquirisse ainda mais confiança em seu trabalho e desejasse que ela acompanhasse nossa gestação, quando viesse a acontecer!

Quando finalmente aconteceu a gravidez, ela me perguntou se havia algum motivo para não pensarmos em parto normal. E eu, como sempre o desejei, disse que não, prontamente! Ela disse que ficava feliz em ver que eu estava pensando na saúde do bebê e na minha também ao fazer essa escolha e me explicou detalhadamente o quanto o parto normal traria benefícios, especialmente se meu corpo fosse preparado para isso, com exercícios adequados, alimentação saudável e sem excessos de modo geral.

No dia do nascimento da Larissa, posso dizer que ela liderou uma equipe fenomenal, que respeitou todo o processo dentro do que pedi e necessitei, ponderando sempre comigo e o maridex. Me senti respeitada e ouvi dela: - Todo novo parto parece sempre o primeiro! E vi que ela realmente estava emocionada por fazer parte desse processo.

Infelizmente, da maternidade São Luiz não posso dizer que tenha exatamente as mesmas recordações. Lamento imensamente que tenham tirado a Larissa de perto de mim tão logo ela tenha nascido, e sido examinada, filmada e fotografada. Só a vi muitas horas depois. Fiquei preocupada com a saúde de minha filha e só a levaram pra mamar na madrugada. O incentivo à mamada era de modo muito apressado e por vezes achei que também impaciente. Por muitas vezes, com a desculpa de que a mãe precisa descansar, a levaram para o berçário, que mais parecia uma vitrine de shopping center. Nisso, sim, posso dizer que me senti contrariada e mesmo violentada.

Quando o Caio nasceu, não senti o mesmo respeito aqui em Porto Alegre por parte da médica que me acompanhou, pois ela fez muita pressão sobre a dita necessidade de que fosse outra cesariana (Lalá entrou em sofrimento após horas de trabalho de parto) e disse a meu marido que eu corria risco de ruptura de cicatriz e, portanto, de vida. Não houve jeito, ele foi convencido e travou-se uma batalha em que fui vencida.
No hospital Divina Providência fomos tratados de maneira muito humana e a equipe de enfermagem foi maravilhosa. Todo mundo solícito e sempre estimulando pacientemente a amamentação, o descanso, a participação da Larissa e do papai Paulo no primeiro banho, na troca de fraldas, no acolhimento do bebê.

E contigo, como foi? Que tal colaborar com esta pesquisa INFORMAL, mas muito importante? Sendo sincera, claro, dando seu depoimento nos comentários, se desejar, mas sobretudo sabendo que não há necessidade de identificação!


A iniciativa desta blogagem é das engajadíssimas Ligia Moreiras Sena, Fernanda Andrade Café e Ana Carolina Franzon.

Caso não consiga responder no formulário, utilize este link para responder, Ok?!
Obrigada!

 

"Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer"

...Como é grande o volume de rascunhos que tenho pra terminar e postar! Quantas ideias na cabeça que não têm conseguido chegar ao blog!

É trabalho, volta às aulas da Larissa e adaptação do Caio (felizmente ótima, nunca o vi tão feliz na outra escolinha!), apometria, corrida contra o tempo mesmo e um cansaço gostoso, de dormir por sentir que o dever está sendo cumprido.

Mas não esqueci de uma promessa que havia feito a mim mesma: participar da Campanha "Perca um livro, passe adiante". Dessa vez será via internet, então as queridonas e os queridões que quiserem participar estão convidados, valendo para todo o Brasil!

Basta curtir a página do Desconstruindo a Mãe no Facebook! O resultado sairá no dia 15/03 pelo Sorteie.me!

Para quem quiser saber mais sobre a Campanha, aqui temos algumas dicas:




Participe você também, como considerar a melhor forma de colaborar! Pode ser doando livros que estão parados na estante para um hospital, uma biblioteca escolar ou pública, uma ONG, uma igreja ou centro espírita... Sempre tem alguém sedento por cultura!

Os livros dão nova cor e significado à nossa existência. Não é à toa que o curta vencedor do Oscar 2012 trata disso:







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