Marido não é filho, graças a Deus! Ou: "não era amor, era cilada"!

Cenário 1: me despeço do marido e do filhote para ir ao happy-hour que começou às 21hs com as mães de amiguinhas da Lalá. Ela, por sinal, passou a noite em casa de uma dessas amigas. Os dois "meninos" da casa ficam ótimos, claro, aproveitando a noite como gostam: vendo filmes, jogando no iPad, tendo seu momento juntos. 


Cenário 2: Em uma loja de roupas masculinas, dá-se a cena: boa parte dos homens perdidos no meio de araras, enquanto algumas mães (algumas idosas, de filhos mais que barbados), esposas e namoradas aguardavam que seus acompanhantes experimentassem as roupas  e se decidissem sobre o que levariam (ou não). Muitos não pareciam ter ideia do que faziam ali, se sentiam embaraçados ou, pelo menos, desconfortáveis. Alguns esboçavam vergonha depender desse aval ou pressão para comprar as próprias roupas. - Sim, sei que existe uma fama de que homens não gostam de sair para fazer compras. Mas... Nem para si mesmos???






Imagem: http://economia.ig.com.br/




E aí foi que parei para pensar como muitas dessas mulheres, que lá estavam, tomavam decisões por esses homens: cor, modelo, a camisa certa para tal ocasião, enfim, faziam aquilo que hoje faço pelo Caio, que tem 3 anos, mas que já faz tempo que tem seus momentos de escolher que roupa usar e sabe dizer na ponta da língua que sua roupa preferida é a fantasia do Batman, que insiste em levar às terças-feiras para a escola porque é dia de brinquedoteca e lá é permitido trocar o uniforme pela fantasia e tem até um cabideiro cheio de opções.


Teria muitos cenários a relatar, mas... Algo do que falei aqui é estranho à mulherada?


Nesse universo de "criar uma criança" (estranho, as palavras parecem dizer que se trata de alguém sem personalidade nenhuma, mas desde o primeiro dia já foi despontando a de cada filho, não sente-se assim?), muitas vezes fazemos diferença na forma como direcionamos e ensinamos uma menina e um menino quanto às suas responsabilidades, aos seus limites e ao que lhes é permitido fazer. Por isso, juro que tento que o Caio tenha noção de que a roupa que ele tira para tomar banho precisa ser lavada e que, então, nada mais justo que, assim como a Larissa, pode levá-la ao cesto na área de serviço do apartamento, por exemplo. 


Histórias como a da Branca de Neve, que chega para organizar a vida dos sete anões, não é nada sutil em dizer qual deve ser o papel de uma mulher na vida de um homem; ela não apenas é protegida pela presença masculina, posteriormente salva pelo príncipe, mas é ela quem vai fazer a sopa e a torta, encantar com sua beleza, arrumar a casa... E isso não é o que desejo para a minha filha! E vale o mesmo para o Caio! Não desejo que ele apenas entenda de futebol e carros, embora sejam os temas que o interessam agora. - Claro, ela precisará saber se virar, se alimentar, organizar a casa dela para viver num ambiente "habitável", mas terá opções além dessas de quais papéis deseja viver na sociedade em que é membro importante para o funcionamento. E, caso escolha ser dona de casa e mãe em tempo integral, será apoiada, se for um desejo verdadeiro.


Imagem: http://blog.death-animes.com/archives/9788




Vejo que é comum também o comentário entre amigas sobre sogras que ficam pitacando sobre como "adestrar", ou conduzir o relacionamento com seus filhos, a pretexto de que o entendimento do casal seja perfeito. Ora essa: elas querem é que o esquema em que os acostumaram continue o mesmo, pois não gostam de ser questionadas sobre como os educaram! Daí muitas as piadas sobre a disputa entre noras e sogras! Graças a Deus, maridos não são filhos (nossos), são adultos criados e que têm muito potencial para continuar se desenvolvendo, aprendendo nas trocas e com o relacionamento conosco e com o mundo!


Imagem: http://pt.dreamstime.com/




Por isso, posso dizer com alegria que abri espaço para que a frase "tu não és a minha mãe" não volte a ser repetida em minha vida. Porque estou falando de coisas que eu fazia até pouco tempo atrás! Aí faria sentido dizer que aquela música "não era amor: era cilada (cilada, cilada, cilada!)", fazia sentido, não pode-se dizer que sufocar o outro dizendo através de gestos que ele é incapaz ou que deve se acomodar é sinônimo de amor. Porque estou deixando que ele pense sobre o que gosta ou não em muitos aspectos, tome decisões e sinta-se à vontade para diversas coisas. Mas como sou ansiosa e me acostumei a sair fazendo diversas coisas, é uma tentação difícil de suportar. Mas quando conseguimos avançar e dizer que fomos mais fortes que ela, é tããão bom!!!



É uma longa história!

Não costumo falar aqui do meu trabalho, mas ando com uma vontade imensa... Será que isso interessa a mais alguém que não a mim mesma? Bom, o blog é de uma mãe que era exclusivamente dedicada à vida familiar, mas vem buscando ampliar seus horizontes e retomar alguns aspectos que continuam sendo importantes em sua vida... Então me permito falar desse projeto em que entrei de cabeça: www.ipadnasaladeaula.com.br

É apaixonante olhar para algo que nos interesse e dizer que é possível criar em cima da ideia, de maneira divertida, inteligente e útil. E sentir-se útil e tornar acessível algo assim para outras pessoas me encantou. 

Sou professora de Ciências e Biologia de formação e fiz mestrado em Educação, uma área ampla pra caramba. Sempre tem o que estudar, novos interesses e informações surgindo. Há 11 anos defendi minha dissertação e optei por não seguir na pesquisa porque queria adquirir experiência, mas não imaginava que fosse passar tanto tempo distante, ou que seria dessa maneira, pelo menos.

Sei que fui professora de rede pública e de faculdades particulares em São Paulo, pequenas na época, mas que me colocaram num espaço especial que é o da reflexão sobre ser professora, nossa formação e isso mexeu muito comigo.

Nem sempre fui considerada "a" professora e muitas vezes tive embates com as turmas sobre a forma de encarar o trabalho que realizava por ter alunos - em sua maioria com experiência no magistério, sendo obrigados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (de 1996) a fazer a faculdade de Pedagogia - porque muitos achavam "uó" ser corrigidos, questionados, colocados para repensar algumas posturas e costumes da nossa profissão. Mas, principalmente, detestavam quando eu dizia que éramos preparados para lidar com conhecimento, mas não com pessoas.

Bem, quando a Larissa nasceu, optei por ser mãe 24hs até me sentir à vontade para voltar ao mercado de trabalho. E foi bom demais! Mas, quando me dei conta, não estava conseguindo ter tanta vontade assim de voltar a trabalhar da mesma maneira e nem queria deixar de estar com a minha filhota ou que ela fosse criada pela babá - que nunca teve. E isso durou bastante tempo!

Acabei fazendo trabalhos eventuais em casa, principalmente pela internet. E foi aí que descobri a existência de blogs de todos os assuntos, inclusive sobre maternidade. Trabalhei com geração de conteúdo para médicos e pacientes em dermatologia e esclerose múltipla.

Quando voltamos para Porto Alegre, quando fui chamada para trabalhar em uma escola, descobri que estava grávida e contei para quem havia me selecionado... #fuéééeén... A honestidade me rendeu um tapinha nas costas e um comentário agradecendo, por telefone, que agradeciam por ter sido sincera, mas que então ficariam com um homem, que tinha ficado em segundo lugar na seleção, pois ele não precisaria de licença-maternidade.

E quando o Caio chegou, eu quis repetir a dose de dedicação, mas meu coração já dividia a  culpa por sentir necessidade de trabalhar e me realizar nesse sentido - alguém que tenha voltado a trabalhar não passou por isso? - e lutei comigo mesma, durante um bom tempo. Seria menos mãe ou amaria menos o meu pequeno por ficar menos anos em casa do que passei com a Larissa?

Pois bem, quando encontrei um meio de trabalhar com horários interessantes para mim e fazendo o que gosto, que é trabalhar com pessoas, fechou todas! Agora trabalho com reflexão acerca do uso de ferramentas tecnológicas em escolas, assessorando professores, coordenadores e direção de escolas e faculdades. Estou realizada e produzindo! Me sentindo "com as mãos na massa" e contribuindo para a busca de um equilíbrio naquilo que chamamos de educação de qualidade, pois o ensino voltado apenas para entrar em universidades me cansa, enquanto também tenho várias restrições ao que tanta gente chama de educação construtivista e que virou oba-oba.




Imagem: http://www.dc3com.com.br/site/?p=1128




Mas fiz toda essa volta porque quero dizer que acredito que num dia importante como o de hoje, é preciso colocar em pauta que vejo no meu trabalho a possibilidade de inclusão social de pessoas autistas. Os tablets estão apresentando a essas pessoas tão especiais novas formas de interação, o que lhes é bem difícil; possibilitam brincar, despertam interesses, enfim... Tem muita coisa boa para descobrir com esses equipamentos, se utilizados por pessoas preparadas e interessadas em conhecer o universo autista e o da tecnologia como uma ponte para a integração. Especialmente na Educação Especial vejo que temos muito a aprender e a descobrir com nossos alunos Portadores de Necessidades Especiais no que diz respeito a enxergar o outro e ouvi-lo, com atenção. Com carinho e aprendendo com suas famílias como é possível nossa sociedade abrir espaços e abraçar sua causa. 

Minha homenagem hoje é para as minhas amigas Geovana Centeno, Nanci Vieira da Costa e Karla Coelho, mamães blogueiras, que estão firmes no propósito de despertar as potencialidades de suas crianças. Espero que gostem do video abaixo!




Parei pra pensar e...

Sabem o que é felicidade? É ver que o clima ficou mais ameno e podemos preparar a quatro mãos uma sopa pra tomar em família; é tomar aquela taça de vinho pra comemorar que voltei a estudar e estou adorando; é ouvir do filho que fiquei linda porque pareço o Gato de Botas.

É acordar toda amassada com os sorrisos das crianças ao dizer "bom dia" pedindo chamego e pedindo pra fazer cabaninha, café na cama ou ganhar um colo porque sentiram saudades enquanto dormiam...

Pra mim, a vida pode ser simples assim e muito feliz. Ao mesmo tempo, ela é tecida com retalhos de panos complexos, que são as pessoas. E sou feliz por ter conhecido a maioria das  gentes com quem tive a oportunidade de cruzar em minha jornada.

Acredito piamente que temos a oportunidade de fazer algo diferente do usual quando temos consciência de que temos uma vida a ser vivida independente de grandes eventos que nos causem um grande choque, como um acidente ou uma doença.

Quando tive câncer de tireóide, achei que o mundo tinha aberto uma clarabóia onde todos os meus medos estavam guardados e despejado-os sobre meus ombros. Mas havia também uma força interna poderosa, a força daquele amor que meus pais haviam me dado e também dos amigos que, tendo conquistado, se tornaram irmãos, tanto quanto o Max. E olha que o Max é top quando se fala em irmão-amigo!

Quando vejo hoje que, passada a fase inicial da curiosidade, depois dos ciuminhos, a Larissa e o Caio são amigos, se divertem, contam um com o outro, penso exatamente nisso: é bom ter com quem contar. Porque naqueles momentos de festa, sorrisos são fáceis. Mas nos momentos em que temos uma dificuldade o sorriso e mesmo uma expressão de cumplicidade fazem tanta diferença!




E por que estou falando de tudo isso assim, como se tivesse bebido chá de maracujá com vinho doce? 

Porque os momentos difíceis nem sempre são percebidos por quem está de fora. Porque quem estava começando a pertencer àquele seleto grupo a quem chamamos de amigos fez diferença nessas semanas de intensa luta contra um grande medo que eu tinha. Talvez essas pessoas nem saibam o quanto foram imprescindíveis.

Mas, para essas pessoas, vou deixar aqui uma frase que sempre me anima: "sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece flores" - é um provérbio chinês.

Obrigada, de coração.


"Você deveria abrir um consultório" e outros pequenos fatos cotidianos

Hoje dei uma fugidinha do trabalho antes que viesse o temporal prometido - que não veio - e fui fazer as unhas, pensando em estar "ajeitadinha" para amanhã, aquele grande dia em que, após 11 da defesa do mestrado, vou voltar aos bancos escolares na UFRGS.

Achei que fosse ficar extremamente nervosa por causa desse retorno, já que tive alguns problemas que me  marcaram profundamente no encerramento da dissertação e, a partir disso, nem queria pensar em voltar a isso. Era um tema que causava angústia, irritação profunda, embora todo o processo de ingresso, aprendizado, estudos do mestrado tenham sido fantásticos e tenha conhecido gente fabulosa, outras que por si só dariam uma tese sobre o ego no meio acadêmico também.

Ao contrário do que pensava, o dia de hoje, que está quase acabando, foi tranqüilo. Na verdade, está sendo um caminho bem bacana esse que começou no momento em que voltei a fazer terapia. Tem gente que acha que isso é frescura, coisa de quem não tem com o que gastar ou amigos com quem contar, mas eu garanto que minha vida está mudando muito desde que comecei a escrever este blog e com a desconstrução de forma verdadeiramente analítica, com uma profissional competente e que conseguiu perceber o que nenhum outro médico conseguiu ver antes.




Imagem: http://webmail.cook.k12.ga.us/



E com ela pude rever fatos, ter novos olhares sobre as antigas situações. O engraçado é que, falo com ela sobre tudo que, em tese, eu sei muito bem como lidar. Mas que muitas vezes embolo no meio de campo, nos pequenos fatos do dia a dia. Dramalhões sobre questões pífias, excesso de zelo com coisas banais, medos bobos, falta de coragem... Engraçado que costumo ser vista como boa conselheira e hoje até ouvi no salão de beleza que deveria abrir um consultório. Na mesma hora comentei: - Aconselhar sobre a vida alheia é uma barbada...

E meter o bedelho na vida alheia realmente parece que é a especialidade do ser humano, não é mesmo?! Mas tem algo além disso: tem gente que lucra muito com a boa-vontade dos outros. E nisso eu não cheguei a cair mais de uma vez, mas fica a dica. Dramas e campanhas estão correndo soltas por aí...




Imagem: http://www.awmueller.com


Pois bem, vou falar uma coisa e espero que não seja vista como grosseria com quem não merece: andei dando bola para pessoas que considerei boas amigas na web. Me diverti, ri e chorei com elas, da mesma forma que aconteceu com várias amigas que tive desde a infância. O negócio é que tem gente que abusou ou fui eu que baixei a guarda, com a minha porção Pollyana que insiste em se fazer presente.

Só que cansei. E acredito que uma das coisas que tenho aprendido com esse tempo de web e com o caminho rumo aos 37 anos é fazer um filtro (talvez pelas lambadas, pelos plágios), mas confesso que em alguns casos em especial fui puro coração e estou vendo que as máscaras podem cair e que isso acontece com mais facilidade do que imaginava.

Por isso, em homenagem a essas pessoas, aqui está o selo de fim de nosso contato:







Desejo sorte, luz, paz de espírito para que não vá precisar de voduzar a vida de mais ninguém...

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