Convocação: blogagem coletiva COMO ERA SER CRIANÇA NA MINHA INFÂNCIA

BOM DIA! Um dia lindo em Porto Alegre, cheio de possibilidades... Um dia em que, mais uma vez, a criançada acorda cheia de disposição e querendo aproveitar tudo o que o dia oferece!

E agora, de onde tirei essa imagem? 


Nós vivemos falando sobre como é ser mãe ou pai das crianças de hoje: desejos, ansiedades, sonhos, experiências que deram certo e frustrações comumente são compartilhadas. Mas, como disse o maridex, educamos sempre tendo como referencial a nossa infância. Uma infância que foi completamente diferente da que se vive atualmente. Melhor? Pior? A idéia não é julgar!!!


Imagem: www.tecef.blogspot.com


Então vamos fazer uma homenagem ao dia da criança reverenciando, criticando, analisando, lembrando fatos, pessoas, histórias ou livros que marcaram a nossa infância e deram o tom para que pudéssemos crescer e nos tornarmos as pessoas que somos hoje?

Vale escrever o que quiser, usar fotos ou imagens ou nada disso! Use a imaginação!


DATA: 11/10/2011
CANAIS DE COMUNICAÇÃO: Desconstruindo a Mãe e Evento do FB.
QUEM PODE PARTICIPAR: quem se sentir à vontade! 
COMO PARTICIPAR: na data da publicação envie para o Evento do FB ou por comentário neste blog o link de sua postagem, para ser divulgado!


Importante: avise se for participar, ainda que não consiga postar exatamente no dia 11 de outubro, para que possamos acompanhar e prestigiar o máximo de blogs!


Imagem: blog.rescue-mission.org



Um homem que faz pensar

São Francisco De Assis, um jovem nascido em família abastada, em algum momento da vida percebeu que havia mais na vida do que a vida material e o próprio umbigo. Mudou seus hábitos, optou por não viver na riqueza e foi dedicar-se a auxiliar justamente as pessoas que nasceram em ambiente diferente do que ele havia sido criado.

Entre as muitas lições que deixou foi a de que seguir a lei de amor, primordial segundo Jesus Cristo, deveria ser ampliada não apenas aos nossos irmãos humanos, mas também aos irmãos "menores", como chamava os animais...

Esse post, escrito na corrida, é para dizer que ele pode ter sido um dos primeiros homens a se preocupar com a causa ecológica, que logicamente não tinha esse nome em sua época.

A natureza é uma das preocupações ou um dos temas que sensibiliza a sua alma? Que chama a atenção e faz com que você repense seus hábitos? 

São Francisco inspirou muitas pessoas, inclusive Santa Clara, que formou a ordem das Clarissas. E muita gente ouve falar de sua oração como Oração da Família... e pode ser uma boa forma de começarmos a falar em caridade: pela vivência em nossos lares.

Deixo aqui um video que encontrei no Youtube, que considero excelente:




Ética na internet


Acabo de ler um comentário no mínimo intrigante a respeito de uns questionamentos do cantor @ThedyCorrea no Twitter. Ele colocava em questão como o humorista reagiria diante de piadas feitas pelo próprio @RafinhaBastos sobre estupro e outros temas em que as manifestações foram de péssimo gosto se fossem direcionadas a pessoas de sua família. A pessoa disse que daria um "unfollow" porque Thedy teria sido antiético e que admirava o comediante.


Imagem: www.letras.terra.com.br



Então esse foi o "clique"que me faltava para começar esse post, que vinha elaborando há dias, desde que foi feita a proposta de que falássemos sobre ética nos blogs.

- O que é ética pra você, pra mim, e o que realmente significa ética?


Imagem: www.genizahvirtual.com



Ok admirar o trabalho do Rafinha! Ok, achar graça das piadas e achar que ele apenas exagerou - coisa que acho que vem fazendo com freqüência e seqüência cada vez maiores -, mas cadê a ética de quem diz em tom de ameaça que se não mudar de opinião ficará sem um seguidor numa rede social? - Não imagino que isso tenha abalado as estruturas do cantor, mas a frase do bom e velho Barão de Itararé (1895-1971), me parece fazer um imenso sentido nesse momento: "Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você". Será que o filtro que nos faz pesar se vale a pena fazer certos comentários e observações (superego) anda fazendo falta ultimamente? Estar diante de câmeras e se tornar famoso permite a falta de freio à língua?

Ao mesmo tempo: nós, anônimos ou não, ao colocarmos nossos posicionamentos sobre temas e pessoas, estamos justificados pela liberdade de expressão e saímos atropelando pessoas?

Pois é o que tem acontecido. Fico pensando até onde isso tudo vai.

Somado a isso, uma série de eventos que têm se repetido estão atingindo em cheio muitas das blogueiras e dos blogueiros que parecem estar vivendo um momento de sucesso com seus escritos, ao terem seus posts acompanhados de perto por leitores e indicados para outros e mais outros e até chegarem às entrevistas em outros meios de comunicação: o plágio, somado à agressão gratuita e à propaganda em lugar de comentários sobre as postagens.






Tenho sangue quente, sei disso. E ele ferve a ponto de fazer a pele queimar quando vejo uma injustiça. Vi quando copiaram descaradamente a vida de amigas blogueiras e muitas de nós denunciamos, formamos uma corrente e confrontamos uma dessas pessoas. Questionamos: se o post de fulana ficou tão bom, por que não dar o crédito? Em outro momento, mais exaltadas, partimos pra cima, mesmo: será que sua vida está assim tão sem 
cor que precisa pintar uma réplica? Uma falsificação? Quem não quer falar da própria vida pode fazer um blog de ficção, de artes, de esportes... assunto não falta e todos são ótimos!

Uma blogueira que admiro muito por sempre se posicionar é a Lola Aranovich. Com ela aprendo muito sobre ética. E ela, ao discordar e afirmar publicamente seu repúdio ao tipo de humor apresentado no programa #CQC, recebeu ameaça de processo. - Meu bisavô costumava dizer que o palhaço só acha graça de piada quando é ele quem a diz. Que quando se torna o personagem da piada, vira uma fera que precisa ser enjaulada pra não sair mordendo quem encontrar pela frente. 

Em outras situações, bastou uma blogueira dizer que optou por ser dona de casa e que gosta de se dedicar à vida familiar para que outra (blogueira?) desça o porrete dizendo, anonimamente, que sua vida é que é boa, enquanto a da que está bem feliz com suas escolhas é uma pessoa miserável, pra resumir, o que considero uma agressão gratuíta, parecendo que, além de covarde para assinar em baixo de sua opinião, a pessoa sente inveja. Ou aparece aquele comentário em que lemos que ter um irmão/filho deficiente e tratar do tema no blog é fazer freak-show. E isso já aconteceu comigo, mas esse comentário deletei, ao contrário do que aconteceu com os comentários-bombas/detonadores sobre meu caráter que recebi na última semana. Sabem o motivo? Meu irmão nunca me disse que se sentia superexposto ou pediu que me calasse sobre sua condição, ou falou que estava exagerando de algum modo. 

Já sobre mim, pode falar. Como comentei com um grupo de boas amigas, já dizia Goethe - e Frejat soube musicar muito bem! - "desejo que você tenha pelo menos um inimigo, para nunca deixar de duvidar", para colocar os pés no chão e não ficar se achando.

Meu blog não é para um bando de maria-vai-com-as-outras e nem espero que concordem comigo o tempo todo, porque gosto do debate, de ampliar meus horizontes e mesmo de poder retroceder e dizer que, sim, posso ter a chance de mudar de idéia. E erro na digitação,  ou não consigo assimilar as novas regras da língua portuguesa. Essa sou eu.

Tendo dito tudo isso, queria dizer que, se me lembro bem das aulas de filosofia da professora Maria Elísia Flores, ética tem a ver com moral, com o que funciona bem para o indivíduo e para a sociedade, e o relacionamento entre indivíduo e sociedade. Posso estar dizendo bobagem, mas ética, pra mim, tem a ver com caráter, coisa que a gente precisa ter para se mostrar como é e para assumir nossas opiniões, dando a cara a tapa.

Por isso, deixo aqui uma frase para a pessoa que preferiu o anonimato em tantos momentos, disparando a metralhadora giratória justamente para aquelas blogueiras que foram em cima dela quando agrediu pessoas que estavam na sua, faceirinhas:
  

RT@TrechosdoRock: "Prefiro ser odiado por quem sou, do que ser amado por quem não sou." (Kurt Cobain)

Por sua causa, outras anônimas que costumavam assinar seus comentários porque não sabiam ou não desejavam seguir o Desconstruindo a Mãe não poderão mais fazê-lo. Espero que compreendam. A partir de agora, apenas com OpenID.


Esta blogagem coletiva foi organizada por Ana China e Mari Hart Dore.


Descontentes, consumidoras denunciam #mulhernapropaganda

De acordo com o site de notícias G1, uma série de propagandas de lingerie recentes está dando o que falar. Confiram a notícia que compilei do site acima citado:



28/09/2011 11h17 - Atualizado em 28/09/2011 12h55

Governo quer suspender comercial de lingerie com Gisele Bündchen

Secretaria diz que recebeu seis reclamações contra a campanha da Hope.
Vídeos mostram a modelo usando a sensualidade para resolver problemas.

Fábio AmatoDo G1, em Brasília
Propaganda da marca de lingeries Hope, com Gisele Bündchen (Foto: Reprodução)Propaganda da marca de lingeries Hope, com
Gisele Bündchen (Foto: Reprodução)
A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República enviou nesta terça-feira (27) um ofício ao Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária (Conar) pedindo a suspensão de uma campanha da fabricante de roupas íntimas Hope, estrelada pela modelo Gisele Bündchen.
O vídeo pode ser visto no Youtube.

Os vídeos da campanha, chamada “Hope Ensina”, mostram a modelo contando ao marido que bateu seu carro e estourou o limite do cartão de crédito. Primeiro, Gisele revela os problemas vestida com roupa e, na sequência, apenas de lingerie. A propaganda diz que a primeira maneira é errada e, a segunda, a correta. E incentiva as brasileiras a usar seu charme.

“‘Hope ensina’ é a campanha da empresa que ‘ensina’ como a sensualidade pode deixar qualquer homem ‘derretido’. Nela, a modelo Gisele Bundchen estimula as mulheres brasileiras a fazerem uso de seu 'charme' (exposição do corpo e insinuações) para amenizar possíveis reações de seus companheiros frente a incidentes do cotidiano”, diz nota divulgada pela SPM.
A secretaria afirma que sua ouvidoria recebeu seis reclamações de pessoas “indignadas” com a propaganda desde o dia 20, quando ela foi ao ar. Além do ofício ao Conar, a SPM também enviou documento ao diretor da Hope Lingerie, Sylvio Korytowski, “manifestando repúdio à campanha.”

“A propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas. Também apresenta conteúdo discriminatório contra a mulher, infringindo os artigos 1° e 5° da Constituição Federal”, completa a nota da SPM.
O Conar, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que poderá dar uma resposta sobre o ofício da SPM somente no início da tarde.
HopePor meio de nota, a Hope disse que a propaganda teve o objetivo de mostrar, de forma bem-humorada, que a sensualidade natural da mulher brasileira pode ser uma arma eficaz no momento de dar uma má notícia e que, utilizando uma lingerie Hope, seu poder de convencimento seria ainda maior.
"Os exemplos nunca tiveram a intenção de parecer sexistas, mas sim, cotidianos de um casal. Bater o carro, extrapolar nas compras ou ter que receber uma nova pessoa em sua casa por tempo indeterminado são fatos desagradáveis que podem acontecer na vida de qualquer casal, seja o agente da ação homem ou mulher", disse a nota.

O que você vai ser quando crescer

Saber o que vamos ser quando crescermos é uma questão que acompanha todas as pessoas, desde que nascemos; embora seja uma questão, no título deste post não coloco um ponto de interrogação... Sabem o motivo?

Porque antes mesmo de nascermos há todo um imaginário que se cria em torno da criança que está a caminho; mas não é apenas o sonho dos familiares que influencia a formação da personalidade e as escolhas que uma criança fará (e farão por ela) ao longo de sua vida até que se torne adulta.

Então chegamos ao ponto que eu queria colocar e que é a proposta da blogagem coletiva de hoje: a publicidade é outra das muitas instâncias que nos ensinam quem somos, o que queremos, o que desejamos e onde chegaremos - através do consumo. Ou seja, existe uma pedagogia na publicidade! - Essa afirmação não é minha, na verdade muitos pesquisadores abordam o tema, inclusive lembro de ter estudado a respeito nos tempos do mestrado, em que tomei contato com os estudos culturais (mas aqui quem está falando não é uma especialista no assunto, meu tema de estudo foi outro!).





Fica mais fácil de compreender o quanto isso fica arraigado em nós quando analisamos as propagandas dirigidas ao público feminino e masculino desde a infância: são panelinhas, pias que imitam o serviço doméstico e relatadas como "igual à da mamãe", reforçando que este é um trabalho feminino; ou mostrando apenas meninas cuidando de filhinhas/bonecas, como se esse fosse um universo ao qual as meninas ficassem restritas. Os meninos vão brincar com outro tipo de artefatos (culturais), reforçando de seu lado a sua masculinidade através do uso de armas, automóveis, brinquedos que remetam às aventuras e a satisfação pela superação de desafios que não tomam contato com esse universo feminino. Portanto, os papéis sociais já se mostram bem definidos!










Assim, crescemos incorporando, literalmente, a identidade, aquilo que nos define, como se fosse única, engessada. E, se não questionamos os estereótipos, acabamos por reproduzi-los! As roupas de crianças, então, mostram o quanto as meninas e meninos (talvez menos eles do que elas) se vestem como mini adultos, coisa que me recuso a fazer com minhas crianças. Porém sei que não sou a única influência que elas têm e que em uma sociedade que produz cosméticos, calçados, acessórios, enfim, todo um ambiente propício ao consumo que é estimulado com seu bombardeio via meios de comunicação, é importante questionarmos com as crianças essas posturas fixas, como "menino não usa cor de rosa", "menina não pratica determinados esportes nem usa certas roupas" e muito mais.


Mas, quando nem chegamos à vida adulta, a coisa fica ainda mais cruel! As revistas femininas são sempre com capas de folhas cheias de modelos magérrimas, com expressões felizes, posturas poderosas, de quem está segura de si, coisa que justamente uma adolescente não é em relação ao próprio corpo, que está se desenvolvendo. Então podemos pensar que existe uma ditadura da beleza magra - as estatísticas de cirurgias plásticas em adolescentes são ridiculamente altas, confirmando! -, mas essa ditadura surgiu de onde?


A publicidade não tira da cartola um discurso que não existe, mas se apropria de "teorias" que circulam em nossa sociedade! Os cenários/paisagens, o figurino escolhido vão dizendo quem somos, dando as regras do jogo, normatizando nossas vidas. Mas não somos obrigadas a aceitar quando dizem em uma propaganda de sabão em pó, que o cuidado com as roupas da família cabe à mulher apenas. Ou que a família padrão é aquela em que uma mulher sorridente serve o café da manhã quase flutuando enquanto um homem lê o jornal e as crianças faceiras e educadas, sem bagunçar, refletem o tipo de mãe que devemos ser, que ambiente devemos organizar e que educação devemos dar aos nossos filhos. - Os filhos de vocês são assim? E alguém aí me ensina a flutuar?


Talvez algumas das propagandas que mais me irritem sejam essas:










Mulheres neuróticas por limpeza... Mulheres que vivem em função disso, porém não dão conta de ter suas casas bem cuidadas. A série de propagandas da "Neura", uma personagem sem cor, com postura cansada e escabelada, contrasta com a das mulheres "cuca-fresca", libertas pela existência de um produto inovador e que não demanda esforço para obter os resultados desejados - ahãmmmm.


Quando não estão vivenciando sua neurose, elas estão cercadas de homens, pois parece que, então, "ter tempo para sua vida" significa necessariamente constituir família. - E quem disse que tem de ser assim? Uma mulher só pode ser realizada se tiver marido e filhos?


Ter tempo para a sua vida pode significar isso e muito mais!










Além disso, me incomoda pensar que nunca aparece um homem realizando tarefas domésticas, sendo que, sim, os homens são capazes e realizam hoje em dia diversas tarefas, compartilhando com seus companheiros ou companheiras o cuidado com o lar.  


Assim, penso nas inúmeras propagandas em que somos representadas na publicidade, só aparecemos como mulheres sensuais como uma Gisele Bündchen personificando a mulher sonsa, mas que compensa sendo sensual a ponto de persuadir o marido de que ela pode dar uma pirada básica estourando os cartões de crédito ou a Juliana Paes, "A BOA", da campanha da cerveja, parceira de boemia.


Os corpos que hoje trabalham representando em torno da metade da força de trabalho e recebem salários menores por pertencerem ao gênero feminino são os mesmos que lutaram por transformações na sociedade e conquistaram direitos como o votar e ser votada, escolher trabalhar fora de casa em outras profissões que não as de serviço doméstico ou cuidados com crianças, como antes permitia a formação em escola "normal". Conquistaram também o direito ao divórcio, a adoção sem ter um parceiro, enfim... esses mesmos corpos continuam sendo tratados como objetos, enquanto permitirmos que nossa cultura não se modifique. Você escolhe o que quer ser quando crescer, não precisa engolir o que querem que você seja.


Quando pararmos de consumir aquilo que é vendido utilizando nossa imagem de maneira que nos desagrada, acredito que o mundo da publicidade se verá obrigado a passar por uma reciclagem. Até porque, sabe-se, nós mulheres costumamos dar a palavra final na hora das compras da família, pois conquistamos o direito de ter opinião e devemos fazê-la valer.


Quem propôs a blogagem coletiva foi a nossa querida amiga Silvia Azevedo, do blog Uma Pitada de Cada Coisa.

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